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A grandeza que nasce da humildade

A humildade não nos diminui, mas nos torna maiores aos olhos de Deus.

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29.08.2025 15:27:54 | 5 minutos de leitura

A grandeza que nasce da humildade

22º Domingo do Tempo Comum

Padre Rafael Pedro Susrina, psdp

A liturgia nos coloca diante de uma questão muito atual: onde está a verdadeira grandeza da vida? O mundo valoriza títulos, dinheiro, poder, aparência. Mas Deus olha para o coração. Ele não mede o sucesso como nós medimos. Para o Senhor, grande é quem é humilde; forte é quem se apoia n’Ele; feliz é quem serve com simplicidade.

Na primeira leitura, ouvimos do Livro do Eclesiástico: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor” (Eclo 3,19-20a). O mundo muitas vezes nos ensina o contrário: ser grande é acumular títulos, riquezas, poder, ter influência. Mas a Palavra de Deus afirma que a verdadeira grandeza está em ser simples, manso e humilde. O humilde não precisa aparecer, não busca ser o centro, mas reconhece que tudo vem de Deus. Pensemos: quantas vezes na família, no trabalho, até mesmo na Igreja, nos preocupamos demais em ser notados, em ser reconhecidos, em estar nos primeiros lugares? A Palavra de hoje nos pede o contrário: abaixar-nos para que Deus seja exaltado em nós.

No Evangelho de São Lucas, Jesus conta uma parábola muito concreta: “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não te sentes nos primeiros lugares…” (cf. Lc 14,8). Aqui Jesus não fala só de boas maneiras, mas de uma atitude interior. O coração humilde não se coloca em primeiro plano, sabe esperar o tempo de Deus, e justamente por isso é exaltado. E Jesus vai além: “Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos” (cf. Lc 14,13). O que significa isso para nós? Que a verdadeira humildade não é só ficar em silêncio ou evitar o orgulho, mas é abrir espaço para os outros, especialmente para os mais esquecidos. Perguntemo-nos: quem são hoje os “coxos, cegos e aleijados” que Deus me pede para convidar para a minha vida, para a minha mesa, para a minha comunidade? Será que temos olhos para os pobres, para os idosos sozinhos, para os jovens que se sentem sem lugar na Igreja?

A Carta aos Hebreus nos recorda: “Vós vos aproximastes do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste” (Hb 12,22). Não nos aproximamos de um Deus distante, severo e inacessível, mas de um Deus que Se fez próximo, humilde, que veio morar no meio de nós em Jesus. É a humildade de Deus que nos salva: Ele se abaixa para nos levantar. Eis a lógica divina: o amor de Deus se manifesta não na ostentação, mas no abaixamento. Cristo nos mostrou isso na cruz, o lugar do maior rebaixamento humano, que se tornou o trono da glória de Deus.

São João Paulo II dizia: “A humildade não é fraqueza, mas a força de quem se apoia em Deus e não em si mesmo. O humilde não vive para si, mas sabe que toda a sua vida é dom e graça.” Quantas vezes pensamos que humildade é coisa de gente fraca, sem voz ou sem opinião. Mas é justamente o contrário: o humilde tem firmeza porque sabe em quem confia. O orgulho nos torna frágeis, porque tudo depende de nós mesmos; já a humildade nos torna fortes, porque tudo se apoia em Deus.

O Evangelho nos fala de banquete. O nosso banquete é a Eucaristia. À mesa de Cristo não há primeiros nem últimos lugares: todos somos convidados, todos recebemos o mesmo Pão da Vida. E Jesus, que é o Senhor, se faz humilde ao ponto de ser pão partido para nós. Quando recebemos a Comunhão, experimentamos a humildade de Deus que Se deixa tocar, Se deixa comer, para nos levantar e nos tornar um só com Ele.

Hoje somos convidados a rever nossas atitudes: buscamos reconhecimento ou servimos com generosidade silenciosa? Abrimos espaço em nossa vida para os pobres, esquecidos e excluídos? Nossa humildade é apenas exterior, ou nasce de um coração sincero diante de Deus? Na família, a humildade se mostra quando sabemos pedir perdão, quando não queremos ter sempre razão. Na comunidade, a humildade aparece quando servimos sem esperar aplausos. No trabalho, a humildade é quando reconhecemos os méritos dos outros e não apenas os nossos.

Queridos irmãos, a liturgia nos ensina que a humildade não nos diminui, mas nos torna maiores aos olhos de Deus. Cristo mesmo, sendo Deus, “esvaziou-se de si e assumiu a forma de escravo” (cf. Fl 2,7). Sigamos Seu exemplo: quem se humilha será exaltado.

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