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A Balança em Perfeito Equilíbrio

"Essa é a vocação: ser presença fiel que inclina a balança para o lado do Amor. "

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20.06.2025 08:10:50 | 3 minutos de leitura

A Balança em Perfeito Equilíbrio

Padre Rafael Pedro Susrina, psdp

A imagem da balança carrega um significado teológico e existencial de grande profundidade, especialmente à luz da espiritualidade calabriana. Ela fala ao coração do consagrado inteiramente a Deus, recordando-lhe que sua vida tem peso eterno diante do Senhor. A balança não representa uma justiça fria, mas a delicadeza do amor divino, que confia à nossa liberdade a possibilidade de inclinar, com nossas escolhas, o rumo da história.

Na Carta aos Religiosos (LV – Epifania, 1948), São João Calábria escreveu: “A Obra é como uma balança em perfeito equilíbrio: um pequeno peso já é suficiente para fazê-la pender de um lado.” Essa imagem revela a delicadeza da vocação. Cada escolha, cada gesto, cada silêncio ou omissão, mesmo os mais ocultos, têm peso diante de Deus. A fidelidade não se mede apenas por atos extraordinários, mas sobretudo pelos pequenos gestos de coerência, de sacrifício escondido, de oração perseverante e de obediência silenciosa. Tudo isso é depositado na balança, e tudo tem valor redentor quando unido ao amor de Cristo. A balança espiritual da Obra e da vida consagrada é sensível — e exige vigilância e humildade constantes.

Mas essa balança não diz respeito apenas à vida pessoal do consagrado. Ela participa do drama espiritual da humanidade. Em meio a uma realidade marcada por pecados, sacrilégios e tantas violações da Lei de Deus, o religioso é chamado a ser contrapeso de misericórdia, um intercessor que, pela santidade de vida e oração, inclina a balança da história em favor do perdão e da paz.

Na Carta LXXXV (5 de fevereiro de 1953), escrita após uma catástrofe natural, São João Calábria exorta: “Com a oração, com a santidade de vida, especialmente nós, Pobres Servos da Divina Providência, procuremos contribuir para que a balança transborde do lado da misericórdia.” Essa mesma consciência reaparece em seu diário espiritual: “A Obra dos Pobres Servos deve colocar-se na balança de Deus para aplacar a divina justiça... e implorar misericórdia” (30 de abril de 1947).

Nesse símbolo silencioso, a balança revela um convite sagrado: viver cada dia com a consciência de que tudo pesa, tudo conta, tudo pode se tornar clamor por misericórdia. A balança se move no secreto da oração, no altar da entrega diária, no escondimento da fidelidade. E quando o consagrado vive assim – inteiramente entregue ao Senhor, fiel no pouco, pobre e disponível – então a balança se inclina. E o mundo, mesmo sem saber, é tocado pela graça.

Essa é a vocação: ser presença fiel que inclina a balança para o lado do Amor. E essa é também a nobre responsabilidade do religioso: ser sinal silencioso da Providência no mundo.

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