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65 anos de Providência no Brasil: uma missão que criou raízes em Bataguassu

Assumida pelos Pobres Servos da Divina Providência em 1970, a Paróquia São João Batista, em Bataguassu (MS), tornou-se uma presença significativa da missão Calabriana no Mato Grosso do Sul. Depois de décadas de serviço e de um período sob os cuidados da Diocese, a Congregação retornou à comunidade em 2022, renovando uma história marcada pela evangelização, proximidade com o povo e confiança na Providência.

65 anos

25.08.2026 07:00:00 | 5 minutos de leitura

65 anos de Providência no Brasil: uma missão que criou raízes em Bataguassu

A história da Paróquia São João Batista, de Bataguassu (MS), começou antes da chegada dos Pobres Servos da Divina Providência. A primeira Santa Missa registrada na localidade foi celebrada em 19 de junho de 1948, pelo Frei Damasceno, franciscano de Rio Brilhante, em uma antiga capela de madeira. 

A Paróquia foi criada em 1º de maio de 1954. Frei Luís Maria de Tomás Flores, apresentado no material histórico também como Pe. Luiz Tomás das Flores, realizou sua Profissão de Fé naquela data e tomou posse no dia seguinte, tornando-se responsável pela freguesia que posteriormente se consolidaria como Paróquia São João Batista. Enquanto a Igreja Matriz não estava construída, a pequena capela de madeira localizada na praça central era o lugar das celebrações. 

Desde aqueles primeiros anos, evangelização e presença junto ao povo caminharam lado a lado. O primeiro vigário marcou a comunidade com missões, catequese, teatro, cantos e procissões, permanecendo em Bataguassu até 1960. 

1970: chegam os Pobres Servos

Um novo capítulo começou em 1970, quando os Pobres Servos da Divina Providência assumiram a missão em Bataguassu. O primeiro religioso da Congregação enviado como pároco foi Pe. João Amadori. No ano seguinte, ele foi substituído por Pe. Leão Ledri, então Delegado da Congregação para a América Latina. 

A presença do Pe. Leão marcou profundamente essa etapa da história paroquial. O documento registra um longo período de permanência e destaca que, muitas vezes, ele desenvolveu sozinho o serviço pastoral, embora em diferentes momentos tenha contado com colaboradores que formaram comunidade com ele.

Entre esses colaboradores são recordados Pe. José Torresan, o então clérigo Dalvir Zanatta e Pe. Mário Bonomi, que colaborou inicialmente como Irmão e posteriormente como sacerdote. Após a transferência de Pe. Leão, assumiu a Paróquia Pe. Odorico Filippo. Em 1992, foi nomeado pároco Pe. Ângelo Maschi, que permaneceu até 2001. 

Mais do que uma sucessão de nomes e datas, essa trajetória representa anos de convivência com as famílias, celebração dos sacramentos, formação cristã e acompanhamento das necessidades da população.

Pobres Servas: presença feminina na missão

A história Calabriana em Bataguassu também foi construída pela presença das Pobres Servas da Divina Providência.

O material histórico registra a chegada das Irmãs da Itália em 1974 e destaca sua colaboração na atuação pastoral e social desenvolvida na Paróquia. Entre as religiosas recordadas estão Ir. Carmela, Ir. Maria Esponda, Ir. Justina e Ir. Ioná. 

Essa participação evidencia que a presença Calabriana em Bataguassu foi sendo construída comunitariamente, por religiosos, religiosas e leigos que colocaram seus dons a serviço da evangelização.

Também merece destaque a atuação do Ir. Francisco, recordado pelo trabalho realizado na Casa Paroquial de Bataguassu. 

Uma missão interrompida e depois retomada

Em 2001, encerrou-se a primeira grande etapa da presença dos Pobres Servos na condução da Paróquia. A comunidade voltou aos cuidados dos sacerdotes diocesanos, sendo assumida por Pe. Paulino Cândido de Oliveira, com o auxílio das Pequenas Irmãs da Sagrada Família. 

Mas a história entre Bataguassu e os Pobres Servos ainda teria um novo capítulo.

Depois de aproximadamente duas décadas, em 12 de fevereiro de 2022, a Congregação retornou à Paróquia São João Batista. 

O retorno tem significado especial dentro da trajetória dos Pobres Servos no Brasil. Não se tratava de começar uma missão desconhecida, mas de voltar a uma comunidade onde o carisma Calabriano já havia criado raízes, reencontrando uma história construída por gerações de religiosos, religiosas e paroquianos.

Uma Paróquia formada por 13 comunidades

Atualmente, a Paróquia São João Batista é formada por 13 comunidades e apresenta uma vida pastoral diversificada com numerosas pastorais, serviços, ministérios e movimentos. 

Entre as pastorais estão PASCOM, Catequese, Acolhida, Pastoral da Criança, Educação/Universitária, Esperança, Pessoa com Deficiência, Saúde, Batismo, Dízimo, Familiar, Juvenil, Litúrgica, Missionária e Carcerária.

A comunidade conta ainda com serviços e ministérios como Canto Litúrgico, Coroinhas e Acólitos, Grupo de Jovens, grupos de novena, ministros, Rádio e Comunicação, Serviço de Animação Vocacional (SAV) e festeiros.

Também fazem parte da vida paroquial o Apostolado da Oração, Caminho Neocatecumenal, Equipes de Nossa Senhora, Infância e Adolescência Missionária, Leigos Calabrianos, Mães que Oram pelos Filhos, Pequena Casa de Nazaré, Renovação Carismática Católica, Vicentinos, Terço dos Homens, Campistas e Encontro de Casais com Cristo (ECC). 

Essa diversidade demonstra uma comunidade na qual diferentes vocações, espiritualidades e serviços convergem para uma mesma missão evangelizadora.

Tradição, devoção e vida comunitária

Entre os momentos considerados significativos pela própria Paróquia estão as festas do padroeiro São João Batista, as tradicionais festas juninas do mês de junho, a expansão territorial da Paróquia e, mais recentemente, o retorno dos Pobres Servos.

A comunidade também recorda a passagem das relíquias por ocasião dos 150 anos de São João Calábria, como um momento de especial significado para a vivência do carisma. 

Uma história que continua

Celebrar os 65 anos da presença dos Pobres Servos da Divina Providência no Brasil é também recordar as comunidades nas quais o carisma encontrou terra fértil para crescer. Bataguassu ocupa um lugar importante nessa memória.

Desde 1970, quando Pe. João Amadori chegou para iniciar a missão Calabriana na Paróquia, sucederam-se religiosos, religiosas, colaboradores e inúmeras pessoas da comunidade que ajudaram a escrever essa história.

Entre a antiga capelinha de madeira onde se celebrava a Eucaristia e a comunidade paroquial formada hoje por 13 comunidades, muita coisa mudou. Permanece, porém, aquilo que dá sentido à missão: anunciar o Evangelho, caminhar com o povo e testemunhar, através do serviço, a confiança em Deus Pai Providente.

Assim, a história da Paróquia São João Batista continua sendo escrita — uma história de presença, retorno, comunhão e fidelidade à missão.

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