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65 anos de Providência no Brasil: da primeira atividade à Rede Calábria

Iniciado em 1962, o Centro Social Padre João Calábria marcou o começo concreto da missão dos Pobres Servos da Divina Providência no Brasil. Mais de seis décadas depois, aquela primeira semente cresceu, diversificou suas formas de atuação e continua transformando vidas por meio da educação, da assistência social, da qualificação profissional e da promoção da dignidade humana.

65 anos

24.08.2026 07:00:00 | 7 minutos de leitura

65 anos de Providência no Brasil: da primeira atividade à Rede Calábria

Quando os primeiros Pobres Servos da Divina Providência chegaram a Porto Alegre, em 30 de agosto de 1961, começava uma história sustentada pela confiança em Deus Pai Providente. Pouco tempo depois, em 1962, essa presença missionária ganhou sua primeira expressão concreta de serviço: o Centro Social Padre João Calábria, atual Centro de Educação Profissional São João Calábria.

Foi a primeira atividade da Congregação no Brasil. A partir dela, a missão foi crescendo, assumindo novas frentes e respondendo às necessidades encontradas ao longo do caminho. São mais de seis décadas de transformações, entrega e serviço, nas quais permaneceram como horizonte o Reino de Deus e o cuidado integral da pessoa, especialmente daqueles que se encontram em situações de maior vulnerabilidade.

A história que começou com uma atividade em Porto Alegre alcança hoje milhares de pessoas. Mudaram as estruturas, surgiram novas modalidades de atendimento e ampliou-se significativamente o campo de atuação. O princípio inspirador, porém, permanece: fazer da confiança na Divina Providência uma presença concreta de acolhida, educação, promoção e cuidado.

1962: a primeira obra no Brasil

O início do Centro Social Padre João Calábria ocorreu apenas alguns meses depois da chegada dos primeiros missionários ao país. Dessa forma, 1962 tornou-se um marco fundamental para a história Calabriana no Brasil: era o momento de transformar a presença missionária em ação concreta junto à população.

Um passo importante aconteceu em 1966, com a criação do primeiro curso de Artes Gráficas no Calábria, fortalecendo uma dimensão que se tornaria característica da atuação da instituição: unir formação humana e preparação profissional.

Ao longo das décadas seguintes, outras iniciativas passaram a integrar essa história.

Em 1976, os Pobres Servos assumiram o Centro de Promoção do Menor (CPM), atualmente denominado Centro de Promoção da Infância e da Juventude (CPIJ). No ano seguinte, em 1977, a Cáritas da Arquidiocese de Porto Alegre transferiu aos Pobres Servos a responsabilidade jurídica e administrativa pelo projeto.

Outra frente importante teve início em 1981, com o Albergue João Paulo II, atual Abrigo João Paulo II.

A sucessiva ampliação das atividades revela uma característica que acompanharia toda essa trajetória: a capacidade de perceber novas necessidades sociais e buscar respostas concretas, mantendo a pessoa humana no centro da missão.

Uma história que acompanha as transformações da sociedade

Ao longo dos anos, as atividades passaram por mudanças importantes, acompanhando também a evolução das políticas públicas e da legislação brasileira voltada à infância e à adolescência.

Entre os acontecimentos recordados nessa trajetória está a visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1980. Em 1988, foi inaugurado o Centro de Atividades João Paulo II, em Viamão.

Com as mudanças trazidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), novas denominações passaram a expressar também uma compreensão renovada da proteção integral. Em 2001, o Centro de Promoção do Menor passou a ser denominado Centro de Promoção da Infância e da Juventude. Em 2002, o Albergue passou a ser chamado de Abrigo, período em que também ocorreu a criação da primeira Casa-Lar.

Outro passo significativo aconteceu em 2011, quando o CPIJ firmou parceria para a execução das Escolas Comunitárias de Educação Infantil, ampliando ainda mais a presença junto às crianças e às famílias.

Da integração das atividades à Rede Calábria

O crescimento das iniciativas também trouxe a necessidade de fortalecer a integração institucional.

Em 2016, ocorreu a integração das atividades do CPIJ e do Centro de Educação Profissional São João Calábria. Esse processo avançou até que, em 2020, foi criada a Rede Calábria.

Em 2023, um novo passo foi dado com a integração entre a Rede Calábria e o Abrigo João Paulo II.

A Rede Calábria tornou-se, assim, expressão de uma longa caminhada que não nasceu pronta. Ela é fruto de décadas de trabalho, discernimento, aprendizagem, adaptações e compromisso de inúmeras pessoas que fizeram da missão Calabriana uma presença de promoção humana e social.

O que começou em 1962 como a primeira atividade dos Pobres Servos no Brasil tornou-se uma ampla rede de serviços, sem perder de vista a inspiração que lhe deu origem.

Uma missão que hoje alcança milhares de pessoas

Atualmente, a Rede Calábria é responsável pela gestão das atividades socioassistenciais e educacionais do Centro de Educação Profissional São João Calábria, Abrigo João Paulo II, Centro de Promoção da Infância e da Juventude, ABENSA e Escolas Infantis.

São mais de 70 unidades de atendimento, presentes em seis municípios do Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Viamão, Farroupilha, Encantado, Muçum e Arroio do Meio.

Diariamente, essa estrutura impacta a vida de mais de 7,5 mil crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

A atuação ocorre por meio de 11 modalidades de atendimento, abrangendo diferentes dimensões da educação, qualificação profissional, assistência social e promoção dos direitos humanos.

Iluminada pelo carisma e pela pedagogia Calabriana, a atuação procura traduzir em suas práticas valores como humildade, espiritualidade, fraternidade, diversidade, equidade, inclusão e sustentabilidade, buscando acolher cada pessoa e favorecer seu desenvolvimento integral.

Os números de uma missão feita de pessoas

O Relatório de Impacto Social 2025 permite compreender de maneira mais ampla o alcance dessa presença. Mais do que contabilizar atendimentos, a proposta procura avaliar as transformações produzidas na vida das pessoas e das comunidades.

Na Educação, foram atendidos 3.979 educandos. A proposta educativa busca ultrapassar a simples transmissão de conteúdos, promovendo o desenvolvimento integral e respeitando a singularidade de cada pessoa.

Na Qualificação Profissional, 325 jovens participaram de cursos que associam formação humana e técnica, estimulando protagonismo, pensamento crítico e autonomia.

Na área dos Direitos Humanos, 92 pessoas foram atendidas por programas de proteção, especialmente em situações de risco e vulnerabilidade.

Já na Assistência Social, 3.069 pessoas foram diretamente impactadas por ações voltadas ao cuidado, fortalecimento de vínculos, inclusão e garantia de direitos.

Por trás de cada número existe, entretanto, uma pessoa. Existem famílias, histórias, dificuldades enfrentadas, oportunidades abertas e caminhos reconstruídos. É justamente nessa dimensão humana que os dados encontram seu sentido mais profundo.

Novas ferramentas para compreender o impacto

Em 2025, o tradicional Relatório de Atividades passou a ser denominado Relatório de Impacto Social, indicando uma mudança na maneira de analisar e comunicar a atuação institucional.

O documento utiliza indicadores de perfil, resultado, desempenho e impacto e incorpora ferramentas de monitoramento, avaliação e Inteligência Artificial para qualificar o cruzamento e a interpretação dos dados.

Outro avanço é a adoção da metodologia SROI — Retorno Social sobre o Investimento, utilizada para avaliar o valor social produzido a partir dos recursos empregados nas atividades.

A Rede Calábria também relaciona suas ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente nos campos da proteção social, educação de qualidade, trabalho digno e redução das desigualdades.

Essas ferramentas ajudam a mensurar resultados e aperfeiçoar processos. Contudo, não substituem aquilo que está no coração da missão: a pessoa acolhida em sua dignidade e integralidade.

Uma semente que continua produzindo frutos

Ao celebrar os 65 anos da presença dos Pobres Servos da Divina Providência no Brasil, retornar à história do Centro Social Padre João Calábria significa voltar a uma das primeiras páginas dessa caminhada.

Em 1962, ninguém poderia dimensionar plenamente tudo aquilo que nasceria daquela primeira atividade. Vieram novas obras, novos serviços, parcerias, mudanças de legislação, reorganizações institucionais e novos desafios sociais. A missão precisou aprender, adaptar-se e encontrar novas maneiras de servir.

Mas há um fio que atravessa toda essa história.

É a convicção de que o Reino de Deus se torna visível quando a vida é acolhida, protegida e promovida. É a confiança de que a Providência também age através de mãos que educam, cuidam, alimentam, ensinam uma profissão, defendem direitos, acolhem uma criança, acompanham um jovem ou oferecem esperança a uma família.

Da primeira atividade iniciada em 1962 às mais de 70 unidades de atendimento de hoje, são décadas de transformação, doação e amor pelo Reino.

A semente lançada no início da missão Calabriana no Brasil cresceu. E continua produzindo frutos.

Acesse o site da Rede Calábria e saiba mais.

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