5º Domingo do Tempo Comum
Ser sal e luz não é buscar destaque, mas deixar que a fé, vivida em obras de amor, dê sabor ao mundo e conduza tudo à glória do Pai.
Artigos
07.02.2026 14:12:42 | 4 minutos de leitura

Pe. Rafael Pedro Susrina, psdp.
A Palavra de Deus nos coloca diante de duas imagens cotidianas, mas exigentes: o sal e a luz. Sem elas, a vida perde o sabor e o caminho se obscurece. Não por acaso, Jesus escolhe essas imagens para falar da identidade do discípulo.
Jesus não diz: “vós deveis ser”. Ele afirma com autoridade: “vós sois”. Isso significa que, pelo Batismo, recebemos uma missão que não é opcional. A pergunta que se impõe é direta e sincera: estamos vivendo aquilo que somos?
O sal não existe para si mesmo. Ele se dissolve, desaparece, mas transforma tudo o que toca. Assim deve ser a vida cristã: presença humilde, silenciosa, mas eficaz. Jesus alerta: Se o sal perder o sabor, para que servirá? (cf. Mt 5,13).
O profeta Isaías (58,7-10) nos ajuda a discernir onde o sal perde o sabor. Não é na falta de ritos, mas na ausência de caridade concreta: “Reparte o teu pão com o faminto, acolhe o pobre, veste aquele que está nu” (cf. Is 58,7). Uma fé que não se traduz em gestos de misericórdia torna-se insossa, incapaz de preservar o mundo da corrupção do egoísmo.
Aqui é luminoso o ensinamento de Remígio de Auxerre. Ele recorda que o sal muda de natureza pela água, pelo ardor do sol e pelo sopro do vento. Assim também os discípulos: pela água do Batismo, somos regenerados; pelo ardor do amor, somos purificados; pelo sopro do Espírito Santo, somos enviados. E ele acrescenta que a sabedoria celestial, pregada pelos apóstolos, seca a umidade das obras carnais, elimina o mau odor das palavras vazias e corrói o verme do pensamento desordenado, aquele que corrói o coração por dentro (cf. Is 66,24).
Diante disso, cada um pode se perguntar com sinceridade diante de Deus: que sabor a minha fé tem deixado no mundo? Ela conserva o bem ou se dilui na mediocridade?
Se o sal age em silêncio, a luz não pode se esconder. Jesus é claro: ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo do alqueire (Mt 5,15). A luz cristã não é exibicionismo religioso. É testemunho. É coerência. É vida iluminada pela graça.
O Salmo proclama com firmeza: “Uma luz brilha nas trevas para o justo” (Sl 111[112], 4).
E Isaías confirma: “Então, brilhará tua luz como a aurora” (Is 58,8). Mas surge quando? Quando a fé se torna visível em obras. Quando o cristão escolhe a justiça, a misericórdia, a verdade, mesmo quando isso custa.
Aqui São Paulo nos corrige e nos consola: “Para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus, e não na sabedoria dos homens” (1Cor 2,5). A luz não vem da nossa eloquência, da nossa imagem ou da nossa força, mas da transparência de quem vive apoiado em Deus.
Jesus conclui dizendo que a luz deve brilhar “para que glorifiquem o Pai que está nos céus” (cf. Mt 5,16). Eis o critério definitivo.
O discípulo não é o centro. Deus é o centro. Quando somos sal e luz, o mundo não nos aplaude – é conduzido ao Pai. Por isso, irmãos, o Evangelho não é para nos elogiar, mas para nos despertar. Ele nos chama a sair de um cristianismo acomodado, invisível, sem sabor.
Se hoje Jesus olhasse para a nossa vida concreta e nos perguntasse: “Onde está o sabor da tua fé? Onde está a luz que eu acendi em ti?” – o que Ele encontraria?
----
Acompanhe as Notícias da Congregação e da Igreja através do canal no WhatsApp!
Mais em Artigos
A direção importa mais que a velocidadeReflexões sobre o sentido da vida e o caminho que escolhemos percorrer10.08.2026 | 6 minutos de leitura
A essência do sacerdócio: uma vida recebida de Deus e entregue pela salvação das almasO sacerdote é chamado a pertencer inteiramente a Deus, configurar-se a Jesus Cristo e tornar-se instrumento da graça, da reconciliação e da espera...06.08.2026 | 17 minutos de leitura
São João Maria Vianney: o santo que transformou uma pequena aldeia e se tornou modelo para todos os sacerdotesEnsinava: "Se compreendêssemos bem o que é um sacerdote sobre a terra, morreríamos não de medo, mas de amor."04.08.2026 | 6 minutos de leitura
Primeiro Domingo de Agosto: celebrar a beleza do sacerdócio é agradecer a Deus pelo dom dos seus pastoresNo primeiro domingo de agosto, a Igreja no Brasil celebra com alegria o Dia do Padre, uma ocasião especial para elevar a Deus um hino de gratidão pe...01.08.2026 | 5 minutos de leitura
Homilia Ordenação SacerdotalOrdenação Sacerdotal do Diácono Deivid Ferreira da Silva22.07.2026 | 6 minutos de leitura
O que acontece em uma Ordenação Presbiteral?Conheça, passo a passo, os ritos pelos quais um diácono é constituído presbítero para o serviço de Cristo e do povo de Deus15.07.2026 | 13 minutos de leitura
As incríveis histórias de São João CalábriaQuem foi o santo que transformou a confiança em Deus em um modo de viver?08.07.2026 | 4 minutos de leitura
Mensagem de Sua Santidade Leão XIV para o VI Dia Mundial dos Avós e dos IdososA velhice não é tempo de esquecimento, mas de graça: em cada rosto idoso brilha uma história guardada no coração de Deus.17.06.2026 | 7 minutos de leitura
Papa Leão XIV convida os sacerdotes à santidade configurada ao Coração de CristoQuanto mais o sacerdote se une ao Coração de Jesus, mais sua vida se torna sinal vivo da misericórdia, da paz e do amor de Deus no mundo.12.06.2026 | 10 minutos de leitura
Leão XIV reafirma fidelidade à tradição e às normas litúrgicas como caminho de comunhão e evangelizaçãoPapa destaca que a verdadeira renovação litúrgica nasce da continuidade com a Tradição viva da Igreja e da obediência fiel ao Concílio Vaticano...28.05.2026 | 3 minutos de leitura