33º Domingo do Tempo Comum
Quando tudo parece desmoronar, a fé perseverante se torna ponte segura entre o presente que vacila e a eternidade que não passa. ‘É permanecendo firmes que ganhareis a vida’ (Lc 21,19).
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13.11.2025 12:11:42 | 5 minutos de leitura

33º Domingo do Tempo Comum
Pe. Rafael Pedro Susrina, psdp
A Liturgia deste domingo nos coloca às portas do encerramento do Ano Litúrgico. É tempo de olhar o horizonte da história à luz da eternidade e de recordar que tudo passa, mas Deus permanece. Jesus fala a partir do Templo de Jerusalém – símbolo do esplendor religioso de Israel – e anuncia algo desconcertante: “Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra” (Lc 21,6).
A 1ª Leitura, de Malaquias, reforça essa promessa: “Eis que virá o dia, abrasador como fornalha... Mas para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas” (Ml 3,19-20a). Mesmo quando tudo parece desmoronar, aqueles que permanecem fiéis receberão a luz que salva. Esta leitura nos prepara para compreender melhor o que Jesus nos dirá: permanecer firmes garante a vida verdadeira.
As pedras do Templo ruirão, as estruturas humanas cairão, e o que restará? O que sustentará o coração quando tudo o que é seguro parecer desmoronar? A resposta de Jesus está no versículo 19 do Evangelho: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida.”
Os discípulos se admiram com a beleza do Templo, mas Jesus desloca o olhar deles: do que é visível para o que é eterno. Não é um discurso de medo, mas um chamado à fidelidade. O Senhor não promete isenção de sofrimentos; promete sentido em meio às provações. Guerras, perseguições, traições, sinais no céu... Mas no centro desse cenário está o convite à perseverança: permanecer firmes.
A perseverança é a virtude daqueles que esperam em Deus mesmo sem compreender tudo. Santo Agostinho afirma que a paciência é a companheira inseparável da fé: sem paciência, a fé não amadurece; sem perseverança, o amor se esgota. O cristão permanece firme não por orgulho, mas porque confia na promessa de Deus. Jesus não diz “ganhareis o mundo”, mas “ganhareis a vida”. A vida verdadeira não é a que evita a cruz, mas a que se mantém fiel em meio à cruz.
O Salmo responsorial nos convida a louvar a Deus mesmo em meio à instabilidade: “O Senhor virá julgar a terra inteira! Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa e da cítara suave!” (Sl 97/98). Louvar a Deus é um exercício de perseverança: enquanto o mundo muda e as pedras caem, nossa fé permanece firme como resposta de gratidão.
Vivemos tempos de instabilidade: crises morais, divisões, medo do futuro. Muitos se perguntam: “Como manter a fé quando tudo parece ruir?” A resposta está no olhar fixo em Cristo. Ele é o único Templo que não será destruído, porque – como disse no Evangelho de João – “Destruí este templo, e em três dias o levantarei” (Jo 2,19). Tudo o que é humano pode cair, mas o amor de Deus ressuscita. Perseverar é confiar que a última palavra pertence à ressurreição.
São Gregório Magno ensina que quem persevera nas provas já vive o início da vitória de Cristo em si mesmo. A perseverança não é espera passiva, mas adesão ativa à fidelidade de Deus.
A vida eterna é dom, mas também conquista: não no sentido de mérito humano, mas como resposta perseverante ao amor divino. Tenho perseverado na oração mesmo quando não sinto consolo? Tenho permanecido firme na missão, mesmo sem reconhecimento? Tenho mantido a esperança mesmo quando o mundo parece desabar?
A Palavra de Jesus nos lembra: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida” (Lc 21,19).
Este versículo é um verdadeiro programa de vida para a comunidade cristã. A fé não é sentimento passageiro, mas decisão diária de confiar. A esperança não é otimismo, mas certeza de que Deus cumpre Suas promessas. A caridade não é emoção, mas fidelidade no amor. A perseverança se cultiva na oração, na Eucaristia, na fraternidade e no serviço. Cada Missa é uma escola de perseverança: aprendemos a permanecer com Cristo, mesmo quando o Calvário parece mais próximo que a glória.
Quando Jesus diz “permanecendo firmes, ganhareis a vida”, Ele não fala apenas de resistência, mas de comunhão. Permanecer firmes é permanecer n’Ele, como o ramo na videira (cf. Jo 15,4). O cristão perseverante é aquele que, mesmo ferido, não solta a mão do Senhor. E no fim, quando as pedras do mundo tiverem caído, aquele que perseverou ouvirá: “Muito bem, servo bom e fiel... entra na alegria do teu Senhor!” (Mt 25,23).
Irmãos, perseverar é o verbo dos santos, dos mártires, de quem crê no Deus que não falha. Não sabemos o que virá amanhã, mas sabemos em quem confiamos. O cristão não teme o futuro: espera-o de joelhos e com o coração firme. Quando tudo parece ruir ao meu redor, estou realmente permanecendo firme em Cristo? Em quem eu realmente confio?
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