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1º Domingo da Quaresma

No deserto com Cristo: a vitória da obediência que purifica o coração e conduz à glória da Cruz.

Artigos

20.02.2026 20:08:40 | 3 minutos de leitura

1º Domingo da Quaresma

Diác. Arão Tchitali Cachuco

Começamos o tempo quaresmal com a solene imposição das cinzas na última quarta-feira, sinal de penitência e de conversão sincera do coração. A perícope de Mateus 4,1-11 apresenta a tentação de Jesus no deserto logo após o Batismo no Rio Jordão. Trata-se de um texto cristológico e eclesial, que a Tradição leu também como revelação da identidade do Filho e paradigma da vida espiritual do cristão. Jesus se apresenta como o novo Adão. O Evangelista Mateus nos mostra que Jesus que revivendo a história de Israel no deserto. Os quarenta dias evocam: quarenta anos de Israel no deserto (Dt 8,2). Os quarenta dias de Moisés no Sinai. Os quarenta dias de Elias rumo ao Horeb. Cristo refaz a história humana desde dentro, restaurando-a pela obediência. 

Primeira tentação: “se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”. Aqui está a tentação de reduzir a filiação divina à satisfação das necessidades imediatas. Jesus responde citando Dt 8,3. “Não só de pão vive o homem...” A verdadeira vida procede da Palavra. O messias não é um milagreiro a serviço do conforto humano. Hoje a tentação é o consumismo espiritual e material, viver como se Deus fosse meio para satisfazer carências.  Segunda tentação: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui a baixo”! Jesus responde: “Não tentarás o Senhor teu Deus” Dt 6,16. Fé não é espetáculo. Deus não pode ser instrumentalizado. “O diabo conduz Jesus ao ponto mais alto para sugerir glória fácil, mas Cristo rejeita qualquer messianismo triunfalista” São João Crisóstomo. Terceira tentação: Poder e idolatria. No alto do monte, Satanás oferece os reinos do mundo. Adorar o poder... Jesus responde “Adorarás o Senhor teu Deus”. O Reino não será conquistado por dominação, mas pela Cruz. A glória passa pela obediência. Cristo rejeita o domínio sem a Cruz, escolhe o caminho da Paixão. Aqui se revela o conflito escatológico entre: Reino de Deus/reino do mundo. 

A tradição vê neste texto: as três concupiscências (1Jo 2,16): Concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e orgulho das riquezas. Assim, a Igreja revive este mistério especialmente neste tempo de Quaresma. Assim como Israel passou pelo deserto, Cristo passa pelo deserto e a Igreja também passa pelo deserto da história.  Que tipo de Messias esperamos? Um Deus que resolve tudo? Cristo é obediente e sua glória passa pela Cruz. A fidelidade no deserto sempre conduz à consolação de Deus. “De fato, Cristo foi tentado pelo demônio. Mas em Cristo também tu eras tentado, porque ele assumiu a tua condição humana, para te dar a sua salvação; assumiu a tua morte, para te dar a sua vida; assumiu os teus ultrajes, para te dar a sua glória; por conseguinte, assumiu as tuas tentações, para te dar a sua vitória”. Santo Agostinho.

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