Movimento Calabriano

São João Calábria desde jovem teve ligações com leigos que o ajudaram a concretizar sua vocação e, mais tarde, se tornaram, com ele, os ministros de Deus Pai para os mais necessitados de seu tempo. Sempre foi a característica marcante na Família Calabriana a presença dos leigos que buscam viver a espiritualidade calabriana e serem para o mundo um "punhado de fermento evangélico" (S. J. Calábria).

Com o passar dos anos, o Calábria constituiu a família dos Irmãos Externos: leigos ligados à Obra, que procuram, através de suas "promessas", mas buscando ser em suas comunidades este "punhado de fermento evangélico", manifestando a paternidade de Deus e desenvolvendo atitudes concretas em favor dos mais pobres. Ademais, a partir destes grupos, muitos poderiam optar, após uma formação mais aprofundada, por ingressar no grupo dos/as Irmãos/ãs Externos/as.

Neste intuito é que nasceu o Movimento Calabriano. Grupos, que podem surgir espontaneamente e escolher um nome para caracterizar-se e identificar-se (Ex.: "Grupo Calabriano Buscai", "Grupo Calabriano Fraternidade", etc.)

CARACTERIZAÇÃO

Trata-se de grupos formados por leigos por leigos que buscam viver a espiritualidade de São João Calábria em sua família, comunidade paroquial, lugar de trabalho procurando ser testemunhas do Reino onde Deus Pai os chamou.

Podem ser constituídos por:

Adultos (solteiros ou casados);

Casais;

Jovens e adultos;

Jovens;

Adolescentes (com a presença de adultos).

Preferencialmente, os grupos sejam pequenos, para facilitar a partilha/reflexão de todos os membros.

A finalidade dos grupos é buscar crescer no "espírito de família", que é próprio da espiritualidade calabriana, expressando o "vejam como eles se amam", como os primeiros cristãos e evangelizar conforme a espiritualidade calabriana.

Os grupos possuem um trpé, sobre o qual procuram sustrentar sua trajetória (cf. Lc 24, 13-34):

1. ESCUTAR:

Colocam-se na atitude de discípulos do Senhor na escuta atenta da Palavra - "Não é verdade que o nosso coração ardia enquanto nos explicava as escrituras?" Esta atitude visa concretizar o desejo de São João Calábria que "sejamos Evangelhos vivos". Além de escutar a Palavra de Deus, buscam escutar a palavra do Magistério da Igreja, de São João Calábria e de seus sucessores.

2. PARTILHAR:

Os discípulos "reconheceram o Senhor ao partir o pão". O grupo terá como característica este aspecto de partilha. Cada membro é convidado a partilhar sua vida, suas alegrias, esperanças, dificuldades... É convidado também a partilhar suas energias, seus talentos, seus dons... com os mais pobres da sua comunidade, da sua paróquia, procurando "os mais pobres entre os pobres", como fez S. João Calábria. Não há autêntica vida cristã e nem verdadeira escuta da Palavra quando não somos capazes de partilha (cf. Jo 6).

3. ANUNCIAR:

S.João Calábria viveu toda a sua vida procurando através de palavras e obras anunciar que temos um Deus que é Pai e cuida de nós com carinho. "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça e o resto vos será dado em acréscimo" (Mt 6, 33).

Cada membro do grupo é convidado a caminhar na busca da descoberta deste Deus que é Pai, Mãe, Tudo e anunciar esta realidade onde atua, da maneira que perceber ser a mais conveniente. Isto é, cada um é convidado a ser "Evangelho vivo" no meio onde vive e atua, a fazer com que o Evangelho penetre em todos os lugares e possa significar a sua vida e a vida das demais pessoas. O anúncio passa, eminentemente, por um comprometimento e envolvimento na pastoral paroquial. O importante não é tanto o quanto se faz, mas como se faz!

Sobre estes três aspectos os grupos devem refletir continuamente. Se algum destes aspectos faltar, o grupo não sobreviverá, pois o tripé ficará desfalcado e não conseguirá se manter de pé.

Neste sentido, tudo isso deve receber uma vitalização constante da oração. Os encontros dos grupos devem ser marcados por momentos intensos de oração e esta deve ser assumida por cada membro como valor pessoal e ser levado para a família e para onde quer que o leigo calabriano vá. Não é possível ESCUTAR, PARTILHAR E ANUNCIAR sem assumir na vida uma atitude orante.

ATRIBUIÇÕES:

Coordenação geral: O Conselho de Delegação indicará uma Coordenação Geral para acompanhar e dinamizar todo o processo do movimento.

Coordenação do núcleo: Cada grupo estará ligado a um núcleo (conjunto de grupos de uma determinada paróquia ou região). Quando em uma paróquia ou região houver mais de um um grupo, estes formarão um núcleo para poderem se encontrar duas vezes por ano para retiros, assembléias, programações de núcleos, lazer... O núcleo escolherá um/a coordenador/a para fazer as devidas articulações entre os grupos e com a Coordenação Geral. O/a coordenador/a ficará neste serviço por um ano, podendo ser reeleito/a.

Coordenação de grupo: cada grupo terá um/a coordenador/a, eleito/a pelos membros do grupo de forma direta, que assumirá este serviço por um ano, podendo ser reeleito/a. No grupo formado por casais é interessante que este serviço seja assumido pelo casal.

Orientador/a espiritual: os grupos buscarão junto às comunidades de religiosos e/ou religiososas Pobres Servos, Pobres Servas, Missionárias dos Pobres um/a orientador/a espiritual. Devem falar com o/a coordenador/a da comunidade e não escolherem quem quiser, mas acolherem de bom grado quem a comunidade religiosa indicar para este serviço. A este/a orientador/a espiritual compete acompanhar os grupos da sua região e dar oportunidade aos participantes de cada grupo ter alguém que possa escutá-lo e ajudá-lo tanto grupal quanto pessoalmente, quando for preciso. O/a orientador/a espiritual não precisa se fazer presente em todas as reuniões dos grupos; precisa tão somente, ser um ponto de referência; este aspecto é importante para proporcionar ao grupo ser protagonista do seu próprio caminho. Um grupo que se formar em uma localidade que não conte com a presença destes religiosos/as procurará entrar em contato com o núcleo mais próximo da sua região a fim de que a orientação espiritual possa acontecer. Os grupos terão reunião mensal e estas, habitualmente, serão realizadas na residência dos próprios membros.

Os núcleos se encontrarão duas vezes por ano. Um destes encontros deve ser reservado para o retiro espiritual. Os encontros podem acontecer onde o núcleo achar conveniente.

Para que se possa iniciar um grupo numa diocese é necessária a aprovação do bispo diocesano e do pároco local.