Segundo Domingo da Quaresma
No alto da montanha, Cristo revela sua glória e ensina que a cruz é o caminho da verdadeira transformação.
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27.02.2026 13:29:55 | 4 minutos de leitura

Diác. Arão Tchitali Cachuco, psdp
Neste segundo Domingo da Quaresma, a Liturgia fala da Transfiguração, que em grego se diz metamorphosis (metamorfose), que significa transformação. Não se trata de uma simples mudança exterior, mas de uma revelação da verdadeira identidade. A Escritura nos recorda que, no sétimo dia, Moises subiu a montanha. Este Evangelho da Transfiguração acontece seis dias após o anuncio da Paixão, isto é, também no sétimo dia. Um detalhe carregado de significado bíblico. Moisés sobe a montanha acompanhado de Aarão, Nadab e Abiú. (Ex 24,1) Jesus sobe ao monte com Pedro, Tiago e João. O rosto de Moisés torna-se resplandecente após falar com Deus; Jesus, porém, não apenas reflete a Glória. Ele se transfigura.
Antes desse acontecimento, Jesus estava na região de Cesareia de Filipe, nas proximidades do Mar da Galileia. Ali faz a pergunta aos Apóstolos: “Quem dizem os homens que eu sou? ” E depois: “ E vós, quem dizeis que “sou? ” Pedro responde: Tu és o Messias” Jesus reconhece que essa revelação veio do Pai, mas logo anuncia que o Filho do Homem deverá sofrer, ser rejeitado e morto. Nesse momento, Pedro repreende Jesus. Curiosamente, o verbo “repreender”, no mundo bíblico, é o mesmo utilizado quando Jesus expulsa demônios. Em seguida, é o próprio Jesus quem repreende Pedro, pois ele não pensa segundo Deus, mas segundo os homens. De fato, quando falamos de Cruz, dor, doença, sofrimento, muitas vezes sentimos resistência, é um dos motivos que podem nos afastar de Deus. Também para os Apóstolos era difícil aceitar o caminho da Cruz. Por isso, Jesus chama Pedro, Tiago e João e os leva à montanha. Na linguagem bíblica, a montanha é o lugar do encontro com Deus, o espaço da revelação. Foi na montanha que Deus falou com Moisés e com Elias. Moisés sobe a montanha após fugir do Egito, temendo o Faraó por ter matado um Egípcio (Ex 2,11-12). Elias também foge para a montanha (1Rs 19,11-13). Após a perseguição do rei, depois de ter enfrentado e mandado matar os falsos profetas (1Rs 18,40). Para ambos, a montanha foi o lugar do encontro, refúgio e manifestação divina.
Moisés representa a Lei. Elias representa os Profetas. Ao levar os Apóstolos à montanha e manifestar-se diante deles na presença de Moisés e Elias, Jesus mostra que Ele é o cumprimento da Lei e dos Profetas. Ali, os discípulos começam a compreender que o caminho da Cruz não é fracasso, mas passagem para glória. Pedro, encantado, exclama: “Senhor, é bom estarmos aqui! ”Ele deseja permanecer naquele momento de consolação. Mas ainda não compreende plenamente o mistério. Então uma nuvem luminosa os envolve e faz sombra sobre eles. A imagem da sombra recorda o anuncio do Anjo a Maria: “O Espirito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra” (Lc 1,35). A nuvem luminosa é símbolo da presença do Espírito. Da nuvem escuta-se a voz do Pai: “Este é o meu Filho amado. Escutai-o”. Diante dessa manifestação, os discípulos caem por terra, cheios de temor. Ali fazem uma verdadeira experiência da santíssima Trindade: o Filho transfigurado, a voz do Pai e a nuvem do Espírito.
A Igreja é essa “montanha”. O lugar do encontro com Deus. Deus nos conduz à montanha, à Igreja, para escutar, compreender e aceitar que, na vida, as cruzes, as dores e as voltas do caminho são necessárias para alcançarmos a ressurreição. Não há glória sem cruz. Quem deseja libertar-se e transformar-se precisa passar por um processo, muitas vezes exigente e doloroso. Quando subimos a montanha, começamos a entender o caminho da transformação. Assim acontece a verdadeira metamorfose: não uma mudança física, mas existencial. A borboleta é um belo símbolo dessa realidade. Sua metamorfose passa por quatro fazes: ovo, larva, casulo (ou pupa) e, por fim, o estágio adulto. No casulo, ela parece imóvel e limitada, incapaz de buscar alimento fora. Contudo é justamente ali que acontece a transformação mais profunda. Ou seja, precisamos sair do casulo e despontar como a “borboleta”.
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