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    São João Calábria e o Ecumenismo

    “Uma finalidade nossa, deve ser também esta: cooperar para a unidade cristã. Oh, se o movimento em direção à Casa do Pai comum, em busca do rebanho de Pedro, se iniciasse em larga escala, quanto bem viria disto para as almas, quanta glória para Deus!” (São João Calábria)

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    03.05.2024 15:45:06 | 9 minutos de leitura

    São João Calábria e o Ecumenismo

    Padre Rafael Pedro Susrina, psdp.

    São João Calábria buscou ao longo de sua vida viver a vontade de Deus. O chamado a santidade; a ser sacerdote; a confiar na providência de Deus Pai; a testemunhar ao mundo essa confiança e abandono; a acolher os meninos abandonados; a convidar leigos para viverem como uma grande Família; a ser o “fundador” de 2 Congregações; a ser profeta no seu tempo, foram ações de um homem que fez a vontade de Deus. Isso e muito mais só é possível a um cristão, se de fato a pessoa está em comunhão com Deus, e naturalmente comunhão com a Igreja. Sendo assim um “canal da multiforme graça de Deus”.

    Que João Calábria é um santo reconhecido pela Igreja já sabemos a 25 anos (18 de abril de 1999). Que João Calábria entregou a sua vida a Cristo, sendo um “Evangelho Vivo” também sabemos. Que João Calábria é “campeão de evangélica caridade” também. Que João Calábria se envolveu e envolveu a Família Calabriana no movimento Ecumênico, provavelmente já ouvimos falar, mas com certeza, hoje, essa realidade está de lado (para não dizer que em muitos lugares está completamente de fora ou está sendo colocada em prática de uma forma duvidosa, não em conformidade com o Magistério da Igreja) da vivência de nosso Carisma, na prática da nossa espiritualidade. 

    Para ajudar a trazer à tona, mais uma vez, nosso envolvimento como Família Calabriana no Ecumenismo precisamos compreender diversos pontos, entre eles: conhecer o que de fato é Ecumenismo; não confundir com diálogo inter-religioso; e principalmente ter presente que São João Calábria viveu entre 1853 e 1954, portanto antes do Concílio Ecumênico Vaticano II, e alguns pontos sobre esse assunto tiverem novos contornos e nuances. Enquanto São João Calábria viveu tivemos como papas Pio IX (1846-1878); Leão XIII (1878-1903); Pio X (1903-1914); Bento XV (1914-1922); Pio XI (1922-1939) e Pio XII (1939-1958); mas foi somente em 1910 que iniciou o Ecumenismo, para aprofundar mais sobre a história convido a ler: Que todos sejam um: uma conversa sobre o Ecumenismo – HISTÓRIA.

    No Natal de 1940, São João Calábria escreve uma carta recomendando rezar pela unidade dos cristãos durante a “Semana de Orações”, e na hora da adoração semanal, após cada dezena do terço, acrescentar a invocação “Ut omnes errantes...”.

    “Acima de tudo lembro-lhes que está próxima a ‘Semana de orações’, que vocês todos conhecem, e que a partir deste ano quero que seja feita em cada Casa com empenho e com especial solenidade. Que o santo reino de Deus se estenda sobre a terra, que os afastados voltem à unidade da fé, e que todos os infiéis cheguem ao conhecimento do santo evangelho: esse deve ser o anseio das nossas almas religiosas sacerdotais.

    Saibam que uma das duas principais intenções pelas quais iniciou-se em Maguzzano a adoração eucarística sacerdotal foi exatamente esta, a de rezar pela união das Igrejas separadas, para que de todos os crentes em Cristo se forme, também sobre a terra, um só rebanho sob um único Pastor. 

    A segunda coisa que eu os quero recomendar é a seguinte: surgiu na Suíça uma obra internacional chamada ‘Catholica Unio’, com o objetivo de cooperar para o retorno das Igrejas Orientais ao seio da santa Mãe Igreja. Envio-lhes em anexo um prospecto que explana melhor os objetivos, os meios e as vantagens espirituais dessa obra. Achei conveniente fazer a inscrição de toda a nossa Congregação na referida obra, de forma que todos os Pobres Servos são também sócios da Catholica Unio; peço, por isso mesmo, que os superiores locais falem dessa instituição, a apresentem, e que na hora da adoração semanal, após cada dezena do terço, se acrescente a invocação Ut omnes errantes etc., seguida da costumeira oração de consagração ao Sacratíssimo Coração de Jesus (Ó dulcíssimo Jesus...), que é também a oração especial daquela associação”. (Carta XXV – São João Calábria).

    Vale ressaltar que o Movimento Ecumênico neste período histórico estava focando na oração, e como consequência dessa súplica insistente desejava-se que os irmãos separados retornassem para o seio da Igreja Católica, e ponto final. A questão eclesial por traz da vivência prática do ecumenismo deste momento era de que “eles estão errados, então são eles que precisam voltar, e fim de conversa”, não havia um diálogo ecumênico, por exemplo.

    No ano de 1944, São João Calábria exorta os religiosos a realizarem um Tríduo de adoração eucarística pedindo o retorno dos irmãos separados a única verdadeira Igreja. 

    “Na conclusão da Semana de Orações (18 a 25 de janeiro) para o retorno dos irmãos separados à única verdadeira Igreja, em nossa capela de San Zeno in Monte haverá um solene tríduo de adoração eucarística, precisamente nos dias 23, 24 e 25 do corrente mês. Comunicando essa notícia a todos os que partilham os ardentes anseios de fé e de amor a Jesus, que para nós está continuamente presente no Sacramento do seu amor, pedimos a participação de todos, pelo menos espiritualmente, numa fraterna caridade de orações.

    Certamente não podemos ficar indiferentes à imensa multidão de irmãos que há séculos vivem separados do único rebanho de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Agradecendo em nome de Jesus bendito pela contribuição que cada um puder dar para o bom êxito do Tríduo, almejando a unificação da grande família cristã num só rebanho sob um só Pastor, e ainda fazendo votos que isso sirva para abreviar os dias da provação e apressar a hora da paz, abençoo-os e me professo in C. J. Sac. J. Calábria”. (Carta XXXIV – 20/01/1944 – São João Calábria aos religiosos). 

    Na festa da Epifania do Senhor de 1946, São João Calábria convoca todas as Casas para realizarem a “Semana de Oração pela Unidade da Igreja” com solenidade para que possamos rezar fervorosamente nesta intenção.

    “O verdadeiro cristão, todavia, não se preocupa somente consigo. Ele lança o seu olhar também sobre os outros, vendo em todos: filhos de Deus e irmãos em Cristo. Ele reza por todos, para que se cumpra o desejo de Jesus: ‘Que haja um só rebanho, sob um só pastor’.

    Parece-me que é esta a hora de Deus para o grande retorno dos irmãos separados há tanto tempo, a propósito dos quais o Santo Padre Pio XI disse, numa frase muito feliz: ‘Eles são como lingotes de ouro que se destacaram do bloco principal’. Portanto, não devemos desprezá-los, mas preparar-lhes o caminho, sobretudo com a oração, com a oferta de sacrifícios e de outras boas obras. Isso devemos fazer sempre, mas o faremos com um empenho todo particular na Semana de Orações pela Unidade da Igreja, já próxima, que será realizada de 18 a 25 de janeiro; e neste ano eu quero que ela seja celebrada em todas as Casas com a maior solenidade possível, especialmente em Maguzzano, onde há anos foi constituída, por decreto episcopal, a santa adoração eucarística diária precisamente com esse objetivo.

    Com todas as minhas forças, recomendo-lhes que todos participem, unidos aos fiéis de vocês, desta cruzada de orações para apressar o retorno dos irmãos afastados. Aliás, em minha pobreza rezo para que, se a Deus aprouver, se realize um desejo que sonho há mais de vinte anos, ou seja, que se possa acolher, num local de recolhimento e de oração, todos os chefes de religião em boa fé, para uma troca de ideias, para o mútuo conhecimento sem discussões, e sobretudo para invocar, como num Cenáculo, o Espírito Santo. Um ambiente adequado, a meu ver, seria Maguzzano, e eu ficaria feliz se a Providência quisesse servir-se daquela Casa para esse fim.

    De qualquer modo, o que eu sinto dentro de mim é que a Obra foi chamada para realizar desígnios especiais de Deus, adequados à hora atual. Procuremos não opor obstáculos, mantenhamo-nos prontos. Muitos irmãos nossos estão privados da luz; nós é que temos de levá-la até eles. Somos ricos dos dons de Deus. Como cristãos, como religiosos, como sacerdotes, precisamos partilhar com os outros”. (Carta XLVII – Epifania 1946 – São João Calábria aos religiosos).

    No Natal de 1949, São João Calábria mais uma vez reforça a importância de celebrar solenemente a “Semana de Oração pela unidade da Igreja” em todas as Casas, recomendando “a todos que ofereçam orações e sacrifícios para implorar do Senhor graças de luz e de fortaleza cristã, necessárias para se tomar o caminho do retorno, superando óbvias dificuldades e obstáculos, de modo que todos os fiéis e crentes em Cristo formem um só rebanho sob um único Pastor.

    Oh, se esse movimento em direção à Casa do Pai comum, esse retorno ao rebanho de Pedro, fosse iniciado em larga escala, quanto bem isso traria às almas, quanto proveito e prestígio para a Igreja, quanta glória a Deus! Mesmo que humanamente falando seja algo bastante difícil, nada é impossível a Deus. E não esqueçamos que toda graça está ligada à nossa incessante e fervorosa oração”. (Carta LXVII – Natal 1949 – São João Calábria aos religiosos).

    Após todas essas citações de São João Calábria fica evidente a necessidade de todos nós, membros da Família Calabriana, de nos envolvermos com o Movimento Ecumênico. É verdade que em questão eclesial, pastoral, cotidiana da Igreja muitos passos já foram dados, mas como Família estamos acomodados. Talvez, por causa da nossa missão particular, diária, não consigamos nos envolver no Ecumenismo por meio do diálogo ecumênico, nos grupos teológicos, nas ações sociais concretas que são sinais de comunhão/unidade entre as Igrejas Cristãs, mas com certeza conseguiríamos nos envolver na Oração. Rezar pela unidade. Rezar pela comunhão. Rezar para que “todos sejam um” (Jo 17,21).

    Acompanhe a série de artigos:
    Que todos sejam um: uma conversa sobre o Ecumenismo.
    Que todos sejam um: uma conversa sobre o Ecumenismo - HISTÓRIA.
    História: precedentes do Concílio Ecumênico Vaticano II.
    História: Decreto Unitatis Redintegratio do Concílio Ecumênico Vaticano II.
    História: período Pós-Conciliar: Carta Encíclica Ut Unum Sint.
    Que todos sejam um: uma conversa sobre o Ecumenismo – TEOLOGIA.
    Teologia: Ministério Ordenado.
    Teologia: Eucaristia.
    Teologia: Virgem Maria.
    Pastoral: Diálogo Ecumênico.
    Pastoral: Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
    Pastoral: Declarações e Convergências após o Concílio Ecumênico Vaticano II.

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