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Santa Cruz e Santa Luzia: duas histórias de fé que acolhem a mais recente missão Calabriana no Brasil

Fundadas em 1970 e profundamente ligadas à história pastoral de Porto Alegre, as paróquias Santa Cruz e Santa Luzia passaram, em 2025, aos cuidados dos Pobres Servos da Divina Providência. Elas constituem a mais recente missão assumida pela Congregação no Brasil.

65 anos

09.09.2026 07:00:00 | 7 minutos de leitura

Santa Cruz e Santa Luzia: duas histórias de fé que acolhem a mais recente missão Calabriana no Brasil

Ao celebrar 65 anos de presença dos Pobres Servos da Divina Providência no Brasil, a memória das atividades da Congregação chega ao seu capítulo mais recente. E ele se encontra justamente em Porto Alegre, cidade onde, em 30 de agosto de 1961, começou a missão Calabriana em território brasileiro.

Em junho de 2025, a Congregação assumiu o cuidado pastoral das Paróquias Santa Luzia e Santa Cruz, duas comunidades com mais de cinco décadas de história. Embora cada uma tenha identidade e trajetória próprias, atualmente são conduzidas pelo mesmo pároco, razão pela qual suas histórias são apresentadas conjuntamente nesta série comemorativa.

A posse na Paróquia Santa Luzia aconteceu em 21 de junho de 2025. Uma semana depois, em 28 de junho, Pe. Nelcir tomou posse também na Paróquia Santa Cruz, tornando-se oficialmente pároco das duas comunidades confiadas pela Arquidiocese de Porto Alegre aos Pobres Servos.

Paróquia Santa Cruz: uma história marcada pelo cuidado com os pobres

A Paróquia Santa Cruz, na região da Cidade de Deus–Cavalhada, foi fundada em 29 de novembro de 1970. Sua origem está especialmente ligada ao Cônego Paulo de Nadal, que, na ocasião de seu Jubileu de Prata Sacerdotal, foi nomeado primeiro pároco.

Sua trajetória sacerdotal e a própria formação da comunidade foram marcadas por uma forte dimensão social. Cônego Paulo de Nadal é recordado como um sacerdote que procurou viver profundamente o Evangelho, fazendo da atenção aos pobres uma expressão concreta de seu ministério.

Antes mesmo da criação oficial da paróquia, a região já experimentava uma presença pastoral significativa. Em junho de 1967, teve início a atuação das Irmãs Murialdinas de São José, que assumiram diferentes serviços junto à população, entre eles catequese, liturgia, educação familiar, grupo de jovens e ambulatório médico.

Também está ligada ao trabalho do Cônego Paulo de Nadal a formação da comunidade Cidade de Deus, destinada especialmente ao atendimento de pessoas pobres. Ali foi estruturado um conjunto habitacional voltado a famílias carentes, viúvas e outras pessoas necessitadas.

A preocupação com as crianças e suas famílias também encontrou expressão no Centro de Promoção do Menor da Cidade de Deus, conhecido como CPM. O espaço acolhia crianças enquanto seus pais trabalhavam e desenvolvia também cursos profissionalizantes.

Dessa maneira, a história da Paróquia Santa Cruz foi sendo construída entre evangelização, formação cristã, organização comunitária e promoção humana. A fé celebrada encontrava expressão concreta no cuidado com a vida das pessoas.

Essa caminhada permanece viva. Atualmente, a paróquia reúne diferentes pastorais, movimentos e serviços, entre eles Pastoral da Liturgia, Pastoral da Catequese, Ministério Extraordinário da Eucaristia, Apostolado da Oração, Coroinhas, animação vocacional, Conselho de Pastoral Paroquial, Pastoral do Dízimo, Guardiões das Capelinhas de Nossa Senhora e o Grupo Caritativo Santa Cruz de Mãos Dadas.

Mais recentemente, passou a integrar a Paróquia Santa Cruz também a Comunidade Cristo Operário, localizada na região do Monte Cristo, no bairro Vila Nova.

Paróquia Santa Luzia: uma comunidade nascida da perseverança

Também em 1970 começava oficialmente a história da Paróquia Santa Luzia. Criada em 15 de fevereiro daquele ano, sua origem está profundamente relacionada à fé, ao trabalho e à perseverança do Pe. Alfredo Hoff, posteriormente Monsenhor Alfredo.

A instalação canônica ocorreu em 15 de março de 1970, realizada pelo então Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer.

Nos primeiros tempos, a comunidade paroquial funcionou junto ao antigo Casarão, nas proximidades da Vila dos Bancários. A partir de 3 de julho de 1971, as celebrações passaram a acontecer na área onde atualmente está localizada a paróquia, depois da construção de um salão de madeira e de um anexo residencial.

À medida que a comunidade crescia, surgia também a necessidade de uma estrutura adequada para acolher os fiéis.

Em 21 de dezembro de 1975, foi lançada a pedra fundamental do novo prédio paroquial. A planta foi aprovada em 1977 e a construção avançou graças à mobilização da própria comunidade, por meio de quermesses e doações particulares, e também aos recursos buscados pelo Monsenhor Alfredo em suas viagens à Alemanha.

Depois de anos de dedicação, o novo prédio da paróquia foi inaugurado em 1985, reunindo comunidade, convidados, autoridades e representantes da Arquidiocese.

Mas a construção física da paróquia ainda teria outro capítulo.

A casa canônica e a dedicação de Monsenhor Alfredo

Depois da inauguração da igreja, Monsenhor Alfredo empenhou-se na construção da casa canônica. Até então, residia no anexo do salão, espaço conhecido pela comunidade como “choupana”.

Em uma nova viagem à Alemanha, recebeu uma doação do bispo alemão Franz Hengsbach, permitindo o início das obras da casa canônica em 17 de agosto de 1987. Com recursos provenientes também da Adveniat, a construção foi concluída em fevereiro de 1990.

A ligação de Monsenhor Alfredo com Santa Luzia ultrapassava a administração de uma comunidade. Ele considerava a paróquia como um Santuário.

Permaneceu à frente dela durante 36 anos, até os 85 anos de idade. Nesse longo período, Santa Luzia tornou-se lugar de intensa movimentação de fiéis e devotos, recebendo inclusive caravanas de peregrinos provenientes do interior do Rio Grande do Sul, especialmente por ocasião das celebrações e bênçãos relacionadas à saúde.

Após sua aposentadoria, Monsenhor Liro Vendelino Meurer foi nomeado novo pároco em 11 de fevereiro de 2007.

Hoje, a vida comunitária de Santa Luzia continua por meio da Pastoral da Liturgia, Pastoral da Catequese, Ministros Extraordinários da Eucaristia, Coroinhas, Conselho de Pastoral Paroquial, Pastoral do Dízimo, Pastoral da Caridade, Movimento Cenáculo de Maria e Mãe, Rainha Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, entre outras expressões da participação dos fiéis.

2025: uma nova etapa para as duas paróquias

Mais de cinco décadas depois de suas fundações, Santa Luzia e Santa Cruz começaram juntas um novo capítulo.

No dia 21 de junho de 2025, Pe. Nelcir Luiz Nazzari tomou posse como pároco da Paróquia Santa Luzia. A celebração foi presidida por Dom Darley José Kummer, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre. A nova comunidade religiosa passou a contar também com a presença do Ir. Sérgio Tomasel, PSDP.

No sábado seguinte, 28 de junho, aconteceu a posse na Paróquia Santa Cruz. A Santa Missa foi presidida por Dom Jaime Cardeal Spengler, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre. Com aquele ato, Pe. Nelcir tornou-se oficialmente responsável pelas duas paróquias.

Durante a celebração, Dom Jaime recomendou ao novo pároco que cultivasse um coração dócil e sensível ao povo que lhe foi confiado, exercendo uma liderança evangélica e fraterna inspirada no Bom Pastor.

A missão mais recente encontra as raízes da presença Calabriana

Há um simbolismo especial nessa nova etapa. Depois de uma história missionária que se expandiu por diferentes regiões brasileiras, a mais recente missão assumida pelos Pobres Servos encontra-se justamente em Porto Alegre, cidade que acolheu os primeiros religiosos Calabrianos quando chegaram ao Brasil em 1961.

Santa Cruz e Santa Luzia não começam sua história com a chegada da Congregação. Pelo contrário: os Pobres Servos recebem da Igreja duas comunidades com uma longa caminhada, construída pelo trabalho de sacerdotes, religiosos, religiosas e gerações de leigos.

Assumir essas paróquias significa, portanto, acolher uma herança e colocar o carisma Calabriano a serviço de uma história que já estava sendo escrita.

A Congregação chega para caminhar com essas comunidades, valorizar aquilo que foi construído, fortalecer sua vida pastoral e continuar anunciando o Evangelho com a espiritualidade herdada de São João Calábria.

É também um encontro particularmente significativo entre passado e presente: a cidade onde a missão dos Pobres Servos começou no Brasil, em 1961, é também o lugar onde, em 2025, a Providência confiou à Congregação sua mais recente frente missionária.

Assim, Santa Luzia e Santa Cruz passam a integrar uma história maior, que completa 65 anos sem deixar de olhar para frente.

Porque celebrar uma história de missão não significa apenas recordar onde estivemos. Significa também reconhecer onde Deus continua nos chamando a servir.

65 anos de presença no Brasil.
Fé e confiança em Deus Pai Providente.

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