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Religiosos e noviços do Regional Sul vivem encontro de fraternidade e formação com o Casante

Realizado na Sede da Delegação Nossa Senhora Aparecida, encontro reuniu religiosos e noviços em um momento de comunhão, partilha e reflexão sobre a fidelidade ao carisma calabriano e os desafios da missão

Notícias

01.09.2026 16:15:33 | 6 minutos de leitura

Religiosos e noviços do Regional Sul vivem encontro de fraternidade e formação com o Casante

No dia 31 de agosto, os religiosos e noviços do Regional Sul dos Pobres Servos da Divina Providência estiveram reunidos na Sede da Delegação Nossa Senhora Aparecida, em Porto Alegre/RS, para um encontro marcado pela fraternidade, partilha e formação. O momento contou com a presença do Casante, Pe. Massimiliano Parrella, e integrou as celebrações pelos 65 anos da presença da Congregação no Brasil.

Depois da celebração jubilar realizada no dia anterior, o encontro proporcionou aos participantes a oportunidade de olhar para a caminhada realizada e, ao mesmo tempo, refletir sobre a maneira de continuar vivendo e testemunhando, no presente, o carisma recebido de São João Calábria.

Em sua reflexão, Pe. Massimiliano convidou os religiosos a irem além da simples recordação das obras e realizações construídas ao longo das últimas décadas. Para ele, a questão fundamental diante dos 65 anos de presença calabriana é verificar se permanece vivo, nas pessoas e comunidades, “o fogo que o Espírito Santo acendeu no coração de São João Calábria”.

O Casante destacou que a fidelidade ao carisma não consiste simplesmente em conservar estruturas, costumes e formas do passado. Utilizando a imagem de uma árvore, recordou que ela permanece fiel às suas raízes quando, alimentada por elas, continua produzindo novos frutos. Da mesma maneira, o carisma precisa encontrar formas concretas de expressão em cada geração, permanecendo aberto à ação do Espírito e aos novos desafios da realidade.

Voltar às fontes do carisma

A reflexão retomou também um episódio fundamental da vida de São João Calábria: o acolhimento de um menino pobre encontrado diante da porta de sua casa, em Verona, em 1897. Antes da existência de estruturas ou instituições, houve um gesto simples e decisivo: abrir a porta e permitir que a realidade do pobre entrasse em sua própria vida.

A partir dessa imagem, Pe. Massimiliano recordou que o carisma calabriano não nasceu de uma estratégia de atendimento aos pobres, mas de uma experiência concreta de acolhida. O pobre não pode ser apenas destinatário da missão, mas precisa ser reconhecido como lugar no qual Deus visita, interpela e transforma a vida dos seus filhos.

Outro ponto central da formação foi a confiança em Deus Pai Providente. O Casante ressaltou que, antes das funções assumidas na Igreja e na Congregação, os Pobres Servos são chamados a reconhecer sua identidade fundamental de filhos de Deus. É dessa experiência de filiação que nasce a liberdade para servir, obedecer, enfrentar dificuldades e realizar a missão sem viver como se tudo dependesse exclusivamente das próprias forças.

Nesse horizonte, a Divina Providência não significa ausência de dificuldades ou sofrimentos, mas a certeza de permanecer nas mãos do Pai mesmo diante da cruz. Essa confiança permite enfrentar também os desafios próprios da vida religiosa e da missão, sem colocar a segurança exclusivamente nas obras, nos recursos ou nos resultados alcançados.

Fraternidade, oração e missão

A vida comunitária recebeu atenção especial durante a reflexão. Retomando as primeiras Santas Normas de São João Calábria, Pe. Massimiliano recordou o chamado a considerar-se, “antes de tudo”, como irmãos e a ajudar-se mutuamente, especialmente na vida espiritual. A fraternidade, portanto, não pode ser compreendida apenas como boa convivência, mas como expressão concreta da fé em Deus Pai.

Essa fraternidade se constrói em atitudes cotidianas: escutar, dialogar, pedir perdão, reconhecer o bem presente no outro, acompanhar as fragilidades, rezar pelos irmãos e criar verdadeiros espaços de partilha da fé. A própria comunidade torna-se missionária quando sua maneira de viver testemunha que pessoas diferentes podem reconhecer-se como filhos de um mesmo Pai e caminhar juntas.

Pe. Massimiliano também insistiu na centralidade da oração. Eucaristia, Liturgia das Horas, silêncio pessoal, adoração, Palavra de Deus, confissão, retiros e exercícios espirituais não devem ser vistos apenas como práticas previstas pela vida religiosa, mas como espaços nos quais cada consagrado reencontra continuamente sua identidade de filho e renova sua disponibilidade para a vontade de Deus.

Assim, oração, fraternidade e missão formam um único movimento da espiritualidade calabriana: diante do Pai, o religioso se reconhece filho; do Pai recebe o outro como irmão; e, junto com os irmãos, é enviado àqueles que esperam encontrar um sinal concreto da Providência.

65 anos: uma história que continua

Ao recordar os 65 anos da presença da Congregação no Brasil, o Casante manifestou gratidão especialmente pelas vidas entregues ao longo dessa história: religiosos que deixaram sua terra, aprenderam outra língua e cultura, abriram comunidades, serviram silenciosamente e fizeram da missão brasileira parte de suas próprias vidas. “A história do carisma no Brasil não é feita apenas de datas e edifícios; é feita de ‘sins’ que talvez ninguém tenha ouvido, mas que Deus ouviu”, afirmou em sua reflexão.

Mais do que conservar a memória do caminho percorrido, o jubileu apresenta o desafio de transformar essa herança em profecia. Para o Casante, o futuro da presença calabriana no Brasil passa pela profundidade da vida consagrada: religiosos que vivam como filhos, comunidades verdadeiramente fraternas e missionários que permaneçam profundamente enraizados na oração.

O encontro do Regional Sul tornou-se, assim, uma oportunidade para fortalecer os vínculos fraternos, renovar a identidade vocacional e aprofundar o compromisso comum com a missão. Religiosos e noviços foram convidados a olhar com gratidão para a história recebida e, ao mesmo tempo, permanecer atentos às novas realidades e periferias que hoje interpelam a Família Calabriana.

Retomando a imagem da porta aberta que marcou os primórdios da Obra, Pe. Massimiliano deixou uma pergunta para o presente: “Qual porta precisamos abrir?” A resposta passa pela disponibilidade para abrir novamente as comunidades, as decisões, as fragilidades, a oração e a própria missão à presença de Cristo e às necessidades dos irmãos.

A reflexão terminou com um chamado que sintetiza também o significado destes 65 anos de missão no Brasil: “Não somos chamados a guardar as cinzas. Somos chamados a entregar o fogo.” Um convite para que a herança recebida de São João Calábria permaneça viva nas novas gerações, alimentada pela confiança em Deus Pai Providente, pela fraternidade e pela coragem de continuar abrindo portas para a missão.

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