Quarto Domingo da Quaresma
Aquele que se deixa tocar por Cristo passa das trevas para a luz, porque quem encontra Jesus aprende finalmente a ver com os olhos da fé.
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13.03.2026 11:21:02 | 4 minutos de leitura

Diác. Arão Tchitali Cachuco, psdp
Celebramos o Quarto Domingo da Quaresma, conhecido como o Domingo Laetare, o Domingo da Alegria. A Liturgia nos convida: “Alegrai-vos, Jerusalém! ”. Mas Jerusalém não é apenas uma cidade. Jerusalém é a Igreja, Jerusalém é você. O motivo da nossa alegria é a proximidade da Páscoa, a proximidade da nossa Redenção. No Evangelho de hoje, Jesus encontra um homem cego de nascença. Curiosamente, o Evangelho não diz o seu nome. E isso não é por acaso. Assim como a mulher samaritana representa todos aqueles que se afastaram de Deus, o cego representa toda humanidade. Porque, de certo modo, todos nós nascemos cegos. Não cegos nos olhos, mas cegos para as coisas de Deus. No tempo bíblico, acreditava-se que qualquer doença ou enfermidade era castigo de Deus. E ainda hoje, às vezes, alguns pensam assim: aquilo que estamos vivendo é castigo divino. Mas o que vivemos não vem de Deus como castigo. É para manifestar as suas obras. Jesus toma a iniciativa. Ele vai ao encontro daquele homem. Assim como vem ao nosso encontro. Deus que toma a iniciativa de nos procurar. Jesus cospe no chão, faz lama com a saliva e coloca sobre os olhos do cego. Esse gesto nos lembra a criação. “Deus criou o ser humano do barro da terra” (Gn 2,7). Aqui Jesus faz barro novamente. É como se Ele estivesse recriando o homem.
Segundo os Padres da Igreja: “A lama representa a terra, nossa carne. A saliva de Jesus representa o seu Espirito”. Ou seja, Jesus está criando o homem novo. Mas a cura não acontece automaticamente. Jesus diz ao cego “Vai lavar-te na Piscina de Siloé”. Siloé significa “Enviado”. E quem é o Enviado do Pai? Jesus. Por isso os cristãos sempre viram aqui uma imagem muito bonita do Batismo. A Piscina de Siloé lembra a pia batismal. É ali que Cristo nos recria. É ali que nos tornamos novas criaturas. Quem crer e for batizado será salvo. Se a gente vive o nosso batismo a gente enxerga. O cego obedece. Ele vai, lava-se e volta enxergando. E então começa algo curioso: as pessoas já não o reconhecem mais. Uns dizem: “Não é ele”. Outros dizem: “É ele sim”. Ele estava tão diferente que causava estranhamento. E isso também acontece quando alguém se encontra verdadeiramente em Cristo.
As pessoas começam a comentar: “Mas o que aconteceu com ele? ” A mudança é visível. O homem então declara: “Sou eu mesmo. Eu era cego e agora vejo, eu era treva e agora sou luz, eu era desfigurado pelo pecado e agora sou uma nova criatura”. Depois levaram aos fariseus o homem que tinha sido cego. Há aqui um grande contraste, porque os fariseus são cegos. Os fariseus não se lavaram na piscina do Enviado. Os fariseus não enxergam. Segundo os fariseus Jesus não vem de Deus. Eles são, de fato, cegos. Os fariseus julgam Jesus a partir da cegueira deles. Às vezes, a gente também julga Deus a partir de nós mesmos. Queremos que Deus pense como nós pensamos. Julgamos os ensinamentos e orientações da Igreja, dizemos: “Que Igreja quadrada essa! ”? Por quê? Por quê? Por quê? Vou julgando Jesus com minha cegueira. Não é Jesus que tem que se converter a você; Não é a Igreja que tem que mudar para agradar. Sou eu que tenho que me converter.
O que era cego agora está mais sábio que os fariseus e, por isso diz: “É um profeta”. Os fariseus fazem tudo para não crer em Jesus. Pecam contra o Espírito Santo, porque mesmo vendo, não aceitam. Há um grande fechamento dos fariseus. Diante de todos os questionamentos, o que era cego, simples e sem estudo, dá uma verdadeira lição nos doutores da Lei. Ele diz: “Se ele é pecador, eu não sei. Só sei de uma coisa: eu era cego e agora vejo”. Não adianta ficar no poço de Jacó; tem que ir para o poço de Jesus, tomar a água que Jesus nos dá. Esse cego foi curado no batismo. Continua o que era cego: “se esse homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada”. O cego agora enxerga. Os fariseus o expulsaram. Jesus ficou sabendo, encontrou-o e perguntou: “Crês no Filho do homem? ”. O cego, na maior humildade, pergunta: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele? ” Jesus respondeu: Tu estás vendo; é aquele que está falando contigo. Jesus nos cura para que o possamos enxergar...
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