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    Pastoral: Declarações e Convergências após o Concílio Ecumênico Vaticano II

    Série: Que todos sejam um: uma conversa sobre o Ecumenismo – Pastoral parte 3

    Artigos

    23.04.2024 07:00:00 | 7 minutos de leitura

    Pastoral: Declarações e Convergências após o Concílio Ecumênico Vaticano II

    Padre Rafael Pedro Susrina, psdp.

    Desde o início do movimento ecumênico diversos passos foram dados. A Igreja Católica após o Concílio Ecumênico Vaticano II busca cada vez mais avançar na direção da Unidade. Sabe-se que o percurso ainda é longo, mas vários acordos foram firmados entres as Igrejas cristãs em vista da unidade. Diálogos teológicos internacionais bilaterais com as comunhões cristãs mundiais no desejo de resolver, em certas áreas, diferenças teológicas de longa data foram realizados. Desses diálogos, em muitas situações, produziam-se declarações consensuais esclarecendo pontos de convergência, na manutenção do diálogo e da fé. 

    A Igreja Católica com as Igrejas Ortodoxas de tradição bizantina1 desde 1979 dialogam por meio da Comissão Conjunta Internacional sobre pontos teológicos. Nesse período já adotaram seis textos: três referentes a estrutura sacramental da Igreja (Munique, 12; Bari [Itália], 1987; Valamo [Finlândia], 1988), e um sobre o Uniatismo2 (Balamand [Líbano], 1993). Em 2006 retomaram o diálogo, refletindo sobre o primado e a sinodalidade, adotando mais dois documentos (Ravena, 2007 e Chieti, 2016 [Itália]) (PONTIFÍCIO..., 2020, p. 54).

    As Igrejas Ortodoxas Orientais3 reúnem as sete Igrejas4 que reconhecem os três primeiros concílios ecumênicos, e desde 2003 dialogam por meio da Comissão Conjunta Internacional com a Igreja Católica. A primeira etapa do diálogo resultou em 2009 na publicação de um documento sobre a natureza e a missão da Igreja. A segunda etapa, em 2015 no documento sobre o exercício da comunhão na vida da Igreja primitiva. Atualmente dialogam sobre os Sacramentos. 

    A Igreja Católica e a Igreja Assíria do Oriente assinaram uma Declaração Cristológica Conjunta em 1994, abrindo novos horizontes ao diálogo teológico e a colaboração pastoral. Por meio da Comissão Conjunta para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Assíria do Oriente iniciou-se uma etapa sobre a teologia sacramental e outra sobre a constituição da Igreja, concluindo com um amplo consenso sobre as questões sacramentais permitindo a publicação pelo Pontifício Conselho das Diretrizes para a admissão à Eucaristia entre a Igreja Caldeia e a Igreja Assíria do Oriente, e um acordo publicado através do documento Declaração Comum sobre a Vida Sacramental, adotado em 2017. Em 2018, iniciou uma nova etapa de diálogo sobre a natureza e a constituição da Igreja.

    A Comunhão Anglicana5 e a Igreja Católica estão em diálogo ecumênico desde o encontro histórico entre Paulo VI e o Arcebispo Michael Ramsey, em 1966. A primeira Comissão Internacional Anglicano-Católica reuniu-se entre 1970 e 1981. Dos encontros houve concordância sobre os temas da Eucaristia e do Ministério. Em 1999 produziram o documento O Dom da autoridade. E posteriormente declarações conjuntas sobre a Salvação, Maria, Eclesiologia, Ética e Graça. Recentemente publicaram uma declaração conjunta sobre a Eclesiologia: Juntos no Caminho (PONTIFÍCIO..., 2020, p. 56).

    A Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial6 dialogam através da Comissão católica-luterana para a unidade, que iniciou seus trabalhos em 1967 ininterruptamente. Publicaram-se documentos de estudo sobre o Evangelho e a Igreja, o Ministério, a Eucaristia, a Justificação e a Apostolicidade da Igreja. O atual tema de trabalho é o Batismo e o crescimento na comunhão. Um importante marco histórico nas relações entre católicos e luteranos foi alcançado na Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação7 (1999). 

    A Igreja Católica também realiza diálogos ecumênicos bilaterais com: a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas; o Conselho Mundial Metodista; a Conferência Mundial Menonita; a Aliança Batista Mundial; os Discípulos de Cristo; o Movimento Pentecostal e Carismático; a Aliança Evangélica Mundial; e o Exército de Salvação. Destes diálogos há relatórios e documentos assinados sobre diversos assuntos em vista de um maior entendimento, caminhando a unidade.

    No diálogo ecumênico multilateral a Igreja Católica conversa com o Conselho Mundial das Igrejas8, que é a maior organização de movimento ecumênico. Embora a Igreja Católica não seja membro, há uma colaboração crescente sobre questões de interesse comum desde o Concílio Ecumênico Vaticano II, que acontece através do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Especialistas católicos fazem parte das várias comissões do Conselho. Na Comissão Fé e Ordem estuda-se os temas ecumênicos: Sagrada Escritura e Tradição, Fé Apostólica, Antropologia, Hermenêutica, Reconciliação, Violência e Paz, Preservação do criado e Unidade visível. Em 1982 foi publicado um documento sobre o Batismo, Eucaristia, Ministério (Declaração de Lima), sendo a primeira declaração de convergência multilateral sobre questões que estão no centro do debate ecumênico. Em 2013, a Comissão publicou: A Igreja: Rumo a uma visão comum (PONTIFÍCIO..., 2020, p. 63).

    A Igreja Católica também dialoga multilateralmente com o Fórum Cristão Mundial, refletindo sobre questões de interesse comum no contexto hodierno, e a Comunidade das Igrejas Protestantes na Europa, sobre a Igreja e a Comunhão eclesial. 

    As Declarações e as Convergências já firmadas após o Concílio Ecumênico Vaticano II denotam o caminhar do diálogo ecumênico, e os frutos colhidos. Realçando a importância de rezar pela unidade, primar pelo diálogo, e agir em prol do Ecumenismo. 


    Acompanhe a série de artigos:
    Que todos sejam um: uma conversa sobre o Ecumenismo.
    Que todos sejam um: uma conversa sobre o Ecumenismo - HISTÓRIA.
    História: precedentes do Concílio Ecumênico Vaticano II.
    História: Decreto Unitatis Redintegratio do Concílio Ecumênico Vaticano II.
    História: período Pós-Conciliar: Carta Encíclica Ut Unum Sint.
    Que todos sejam um: uma conversa sobre o Ecumenismo – TEOLOGIA.
    Teologia: Ministério Ordenado.
    Teologia: Eucaristia.
    Teologia: Virgem Maria.
    Pastoral: Diálogo Ecumênico.
    Pastoral: Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

    Referências bibliográficas
    PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS. O bispo e a unidade dos cristãos: Vademecum Ecumênico. 4. ed. Brasília: Edições CNBB, 2020. 65 p.

    NOTAS:
    1  “As Igrejas de tradição bizantina estão unidas pelo reconhecimento dos sete Concílios Ecumênicos do primeiro milénio e da mesma tradição espiritual e canônica herdada de Bizâncio. [...] As Igrejas autocéfalas unanimemente reconhecidas são: os Patriarcas de Constantinopla, Alexandria, Antioquia, Jerusalém, Moscou, Sérvia, Romênia, Bulgária, Geórgia e as Igrejas autocéfalas do Chipre, Grécia, Polónia, Albânia; as Terras Checas (Boêmia, Morávia e Silésia) e a Eslováquia. Alguns dos patriarcados também incluem igrejas chamadas ‘autónomas’. Em 2019, o Patriarca Ecumênico concedeu um tomo de autocefalia à Igreja Ortodoxa da Ucrânia. Esta Igreja ainda está em processo de reconhecimento pelas outras Igrejas” (PONTIFÍCIO..., 2020, p. 53-54).
     2 O Uniatismo é o movimento em prol de subtrair as Igrejas Católicas Orientais para sua jurisdição e unir-se a Roma.
     3 “As Igrejas Ortodoxas Orientais, também conhecidas como “não Calcedonianas”, por não terem reconhecido o quarto Concilio Ecuménico; distinguem-se em três grandes tradições: Copta, Siríaca e Armênia” (PONTIFÍCIO..., 2020, p. 54).
     4 As sete Igrejas: a Igreja Copta Ortodoxa, a Igreja Siro Ortodoxa, a Igreja Apostólica Arménia (Catholicossats de Etchmiadzine e de Cilicie), a Igreja Malancar Ortodoxa Síria, a Igreja Ortodoxa da Etiópia ‘Tewahedo’ e a Igreja Ortodoxa de Eriteia ‘Tewahedo’.
     5 A Comunhão Anglicana é constituída por 39 Províncias, fazem parte as dioceses cujo bispo está em comunhão com a antiga Sé de Canterbury.
     6 A Federação Luterana Mundial é uma comunhão mundial de 148 Igrejas luteranas que vivem a comunhão “do púlpito e comunhão de altar”.
     7 “A teologia da Justificação foi o tema da discussão teológica central entre Martinho Lutero e as autoridades da Igreja e que, consequentemente, levou à Reforma. A Declaração Conjunta propõe 44 afirmações comuns relativas à doutrina da Justificação. Com base no grande entendimento alcançado, foi acordado que as condenações nas Confissões Luteranas e no Concílio de Trento já não se aplicam. O documento: Do conflito à comunhão (2013) assinalou a Comemoração conjunta católico-luterana da Reforma em 2017” (PONTIFÍCIO..., 2020, p. 57).
     8 O Conselho Mundial das Igrejas reúne 350 igrejas-membros incluindo Ortodoxos, Luteranos, Reformados, Anglicanos, Metodistas, Batistas, assim como, Evangélicos, Pentecostais e outras Igrejas unidas e independentes.

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