Papa Leão XIV convida os fiéis a escutar e jejuar como caminho de conversão na Quaresma de 2026
Na escuta da Palavra e no silêncio do jejum, o coração aprende novamente a desejar a Deus e a reconhecer o clamor dos irmãos.
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06.03.2026 15:07:14 | 6 minutos de leitura

Na sua Mensagem para a Quaresma de 2026, o Santo Padre, Papa Leão XIV, propõe à Igreja um itinerário espiritual marcado por duas atitudes fundamentais: escutar e jejuar. A partir destas duas práticas tradicionais da vida cristã, o Papa recorda que o tempo quaresmal é uma ocasião privilegiada para recolocar Deus no centro da existência e renovar o compromisso de seguir Cristo no caminho da conversão.
A mensagem apresenta a Quaresma como um tempo de retorno ao essencial, no qual a Palavra de Deus e a disciplina espiritual ajudam os cristãos a redescobrir o sentido profundo da fé e a viver de modo mais autêntico o Evangelho.
A Quaresma: tempo de reencontrar o essencial
Logo no início da mensagem, o Papa recorda que a Quaresma é um tempo em que a Igreja, com solicitude materna, convida os fiéis a recolocar o mistério de Deus no centro da vida. Em meio às preocupações e distrações do cotidiano, este período litúrgico se apresenta como oportunidade para renovar a fé e deixar-se transformar pela graça.
Segundo o Santo Padre, todo caminho de conversão começa quando a pessoa se deixa alcançar pela Palavra de Deus. A escuta da Palavra, acolhida com docilidade, tem o poder de transformar o coração e orientar novamente a vida para Cristo. Assim, o itinerário quaresmal torna-se um verdadeiro caminho de discipulado, no qual os fiéis são convidados a acompanhar o Senhor na subida a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição.
Escutar: abrir o coração à voz de Deus e ao clamor do mundo
O primeiro aspecto destacado pelo Papa é a importância da escuta. Para Leão XIV, a disposição de escutar é o primeiro sinal de quem deseja entrar em relação verdadeira com Deus e com os irmãos.
Recordando o episódio da sarça ardente, no qual Deus revela a Moisés que ouviu o clamor do povo oprimido no Egito (cf. Ex 3,7), o Papa sublinha que a escuta está no coração da própria ação divina. Deus não permanece indiferente diante do sofrimento humano; ao contrário, escuta e intervém na história para libertar.
Dessa forma, escutar a Palavra de Deus na liturgia educa os cristãos a escutar também a realidade. Em meio às inúmeras vozes que atravessam a vida pessoal e social, a Sagrada Escritura ajuda a reconhecer os clamores que surgem da dor, da injustiça e da pobreza. Para o Santo Padre, a condição dos pobres constitui um grito que interpela constantemente a consciência da humanidade e da Igreja.
Por isso, a Quaresma deve ajudar os fiéis a cultivar uma atitude interior de receptividade, capaz de reconhecer a voz de Deus que fala na Palavra, na história e nas necessidades concretas dos irmãos.
Jejuar: educar o coração para desejar o bem
O segundo elemento central da mensagem é o jejum, apresentado como uma prática espiritual profundamente ligada ao processo de conversão.
O Papa recorda que o jejum é uma tradição muito antiga na vida da Igreja e continua sendo um exercício ascético indispensável. Ao envolver também o corpo, o jejum ajuda a pessoa a reconhecer aquilo de que realmente tem fome e a discernir o que é essencial para a vida.
Mais do que uma simples abstinência de alimentos, o jejum educa o coração para manter viva a fome e a sede de justiça, impedindo que o ser humano se acostume à indiferença diante das injustiças. Assim, o jejum torna-se caminho de purificação interior e de responsabilidade em relação ao próximo.
Citando Santo Agostinho, o Papa recorda que, na vida presente, os seres humanos experimentam fome e sede de justiça, enquanto a plena saciedade pertence à vida futura. Essa tensão espiritual dilata a alma e aumenta sua capacidade de desejar Deus.
O jejum da linguagem
Entre as várias formas de jejum propostas, o Papa Leão XIV destaca uma prática particularmente necessária no mundo atual: o jejum das palavras que ferem e dividem.
O Santo Padre convida os cristãos a praticar uma verdadeira abstinência de palavras ofensivas, renunciando à linguagem agressiva, ao julgamento precipitado, às calúnias e à difamação. Em vez disso, propõe cultivar uma linguagem marcada pela gentileza, pelo respeito e pela verdade.
Este apelo torna-se especialmente significativo em ambientes onde a comunicação frequentemente se torna violenta, como nas redes sociais, nos debates públicos ou mesmo nas relações cotidianas. Segundo o Papa, desarmar a linguagem é um passo essencial para construir relações mais humanas e fraternas.
Quando as palavras se tornam instrumentos de paz, muitas expressões de ódio cedem lugar a palavras de esperança e reconciliação.
Uma conversão vivida em comunidade
A mensagem recorda ainda que a Quaresma não é apenas um caminho individual, mas também um percurso comunitário. Inspirando-se no relato do livro de Neemias, que narra a assembleia do povo reunido para escutar a Lei e praticar o jejum (cf. Ne 9,1-3), o Papa afirma que a conversão deve envolver também as comunidades.
Paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamados a viver juntos este tempo de renovação espiritual, permitindo que a escuta da Palavra de Deus, bem como do clamor dos pobres e da terra, se torne parte da vida comum.
Neste sentido, a conversão atinge não apenas a consciência pessoal, mas também o estilo das relações, a qualidade do diálogo e a capacidade de reconhecer aquilo que orienta verdadeiramente os desejos e as decisões da sociedade.
Um convite à civilização do amor
Ao concluir a sua mensagem, o Papa Leão XIV convida os fiéis a pedir a graça de uma Quaresma que torne os corações mais atentos a Deus e aos mais necessitados.
Ele encoraja a Igreja a viver um jejum que passe também pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dedicado à escuta do outro. Assim, as comunidades cristãs poderão tornar-se lugares onde o clamor dos que sofrem seja acolhido e onde a escuta abra caminhos de libertação.
Dessa forma, o itinerário quaresmal torna-se um compromisso concreto de construir, já neste mundo, uma verdadeira civilização do amor, marcada pela justiça, pela reconciliação e pela fraternidade.
Por fim, o Santo Padre concede a sua bênção a todos os fiéis, desejando que este tempo sagrado conduza cada pessoa a uma profunda renovação espiritual e a uma vida cada vez mais fiel ao Evangelho de Jesus Cristo.
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Imagem: IA
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