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O que acontece em uma Ordenação Presbiteral?

Conheça, passo a passo, os ritos pelos quais um diácono é constituído presbítero para o serviço de Cristo e do povo de Deus

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15.07.2026 09:09:33 | 13 minutos de leitura

O que acontece em uma Ordenação Presbiteral?

A Ordenação Presbiteral não é apenas uma cerimônia de envio ou a conclusão de um itinerário formativo. Trata-se de uma celebração sacramental da Igreja, realizada no interior da Santa Missa, na qual um diácono é constituído na Ordem dos Presbíteros pela imposição das mãos do bispo e pela Oração de Ordenação.

Cada palavra, gesto e silêncio possui lugar e significado próprios. O rito manifesta que o ministério não nasce de uma iniciativa individual: o candidato é apresentado pela Igreja, interrogado diante do povo, sustentado pela oração da assembleia e ordenado para cooperar com o bispo no anúncio do Evangelho, na santificação dos fiéis e no cuidado pastoral. A seguir, apresentamos os principais momentos da Ordenação Presbiteral, conforme o Pontifical Romano – Rito da Ordenação dos Presbíteros.

1. Ritos iniciais e Liturgia da Palavra

A celebração começa com a procissão de entrada. O livro dos Evangelhos é conduzido por um diácono, seguido pelos demais ministros. Depois da reverência ao altar, cada um ocupa o lugar que lhe foi destinado.

Os ritos iniciais e a Liturgia da Palavra, até a proclamação do Evangelho inclusive, realizam-se como de costume. Somente após o Evangelho tem início propriamente o rito da Ordenação.

Essa disposição mostra que o ministério presbiteral nasce no coração da Igreja reunida e está inseparavelmente ligado à Palavra de Deus. Aquele que será ordenado é chamado a colocar sua existência a serviço da Palavra que escutou, acolheu e deverá anunciar.

2. A apresentação e a eleição do candidato

O primeiro momento próprio da Ordenação é a Eleição do Candidato.

O diácono chama pelo nome aquele que será ordenado. Ao ouvir seu nome, o candidato responde: “Presente”. Em seguida, aproxima-se do bispo e faz-lhe reverência.

Um presbítero designado pede então, em nome da Igreja, que o bispo ordene aquele irmão para o ministério do presbiterado. O bispo pergunta se ele é digno. O presbítero responde que, segundo o testemunho do povo cristão e o parecer dos responsáveis pela sua apresentação, o candidato foi considerado digno.

Depois desse testemunho, o bispo declara: 
“Com o auxílio de Deus e de Jesus Cristo nosso Salvador, escolhemos este nosso irmão para a Ordem dos presbíteros.”

A assembleia manifesta sua concordância respondendo:
“Graças a Deus.”

A eleição litúrgica não significa que a Igreja seja a origem da vocação. O chamado procede de Deus. À Igreja compete acompanhar, discernir, verificar a idoneidade do candidato e reconhecê-lo publicamente como apto para receber a Ordem do Presbiterato.

3. A homilia

Depois da eleição, todos se sentam e o bispo profere a homilia. Partindo das leituras proclamadas na Liturgia da Palavra, dirige-se ao povo e ao eleito, apresentando a natureza e as responsabilidades do ministério presbiteral.

O rito propõe que seja explicado que todo o povo de Deus participa, em Cristo, do sacerdócio real, mas que o próprio Cristo escolheu alguns discípulos para exercerem, em seu nome, o ministério sacerdotal em favor dos homens.

Os presbíteros são constituídos cooperadores dos bispos e associados à sua missão. São chamados a servir o povo de Deus, anunciando o Evangelho, celebrando o culto divino e apascentando a comunidade cristã.

A homilia, presente no Pontifical, evidencia três dimensões fundamentais do ministério:

O múnus de ensinar: o presbítero deve distribuir ao povo a Palavra de Deus, crendo no que lê, ensinando aquilo em que crê e vivendo o que ensina.
O múnus de santificar: por seu ministério, celebra os santos mistérios, especialmente a Eucaristia; administra os sacramentos e eleva a Deus a oração em favor do povo e do mundo.
O múnus de conduzir: unido ao bispo e aos demais presbíteros, é chamado a congregar os fiéis numa só família e a conduzi-los a Deus, seguindo o exemplo de Cristo, o Bom Pastor, que veio para servir e procurar o que estava perdido.

A homilia, portanto, não é um discurso meramente pessoal sobre o candidato. É uma catequese dirigida à Igreja reunida e ao próprio eleito sobre o ministério que ele está prestes a receber.

4. A promessa do eleito

Terminada a homilia, o eleito levanta-se e permanece de pé diante do bispo. Antes de ser admitido à Ordem dos Presbíteros, deve manifestar publicamente seu propósito de assumir o ministério.

O bispo apresenta-lhe uma série de perguntas. O eleito declara sua disposição de:
exercer sempre o ministério sacerdotal como zeloso cooperador da Ordem dos Bispos;
apascentar o rebanho do Senhor sob a ação do Espírito Santo;
exercer digna e sabiamente o ministério da Palavra;
pregar o Evangelho e expor a fé católica;
celebrar com fé e piedade os mistérios de Cristo;
exercer especialmente o ministério na Eucaristia e no sacramento da Reconciliação;
implorar a misericórdia divina pelo povo que lhe será confiado;
cumprir perseverantemente o mandato da oração;
unir-se cada vez mais a Cristo, Sumo Sacerdote;
consagrar-se com Cristo a Deus para a salvação dos homens.

À última pergunta, o eleito responde:
“Sim, quero, com a ajuda de Deus.”

Essa expressão evidencia que o compromisso é assumido livremente, mas não apenas com as próprias forças. O eleito reconhece que necessita do auxílio da graça divina para viver fielmente as exigências do ministério.

A promessa de reverência e obediência

Em seguida, o eleito aproxima-se do bispo e se ajoelha diante dele. Coloca suas mãos unidas entre as mãos do bispo e promete reverência e obediência.

Quando o eleito é religioso, a fórmula prevista refere-se ao bispo diocesano e ao legítimo superior. Depois da promessa, o bispo conclui:
“Queira Deus consumar o bem que em ti começou.”

A obediência não é apresentada como submissão meramente funcional. Ela expressa a comunhão eclesial na qual o presbítero exercerá o ministério: unido ao bispo, ao seu legítimo superior e aos demais membros da Ordem dos Presbíteros.

5. A súplica litânica

Depois das promessas, todos se levantam. O bispo depõe a mitra e convida a assembleia a rezar a Deus Pai pelo eleito.

O candidato então se prostra, enquanto são cantadas as Ladainhas de Todos os Santos.

Nos domingos e durante o Tempo Pascal, a assembleia permanece de pé. Nos outros dias, permanece de joelhos, conforme as indicações do rito. O eleito, porém, permanece prostrado.

A prostração é um gesto de profunda humildade. O candidato coloca-se inteiramente diante de Deus, enquanto toda a Igreja suplica por ele. A Igreja peregrina invoca a intercessão dos santos e pede que o escolhido seja sustentado pela graça.

Terminadas as ladainhas, o bispo reza para que Deus conceda ao eleito a bênção do Espírito Santo, o poder da graça sacerdotal e a riqueza de seus dons.

6. A imposição das mãos

Concluída a súplica litânica, o eleito se levanta, aproxima-se do bispo e se ajoelha diante dele.

O bispo impõe as mãos sobre a cabeça do eleito sem dizer nada. Depois, todos os presbíteros presentes, revestidos de estola, repetem o mesmo gesto, também em silêncio.

A imposição das mãos realizada pelo bispo é parte central da celebração sacramental. O gesto silencioso é seguido imediatamente pela Oração de Ordenação, formando com ela o núcleo essencial da Ordenação.

A imposição das mãos dos presbíteros manifesta a acolhida do novo membro na Ordem dos Presbíteros e a comunhão do ministério exercido em torno do bispo. O rito, contudo, distingue claramente os gestos: é o bispo quem preside a Ordenação e pronuncia a Oração de Ordenação.

7. A Oração de Ordenação

Depois da imposição das mãos, o eleito permanece ajoelhado diante do bispo. Os presbíteros ficam junto dele até o final da oração, de modo que a ação litúrgica possa ser vista pela assembleia.

O bispo depõe a mitra e, de braços abertos, pronuncia a Oração de Ordenação.

A oração recorda a ação de Deus na história da salvação. Evoca os colaboradores dados a Moisés e Aarão, a missão dos Apóstolos e os companheiros associados à obra apostólica. Em seguida, suplica que Deus constitua aquele servo na dignidade de presbítero, renove em seu coração o Espírito de santidade e lhe conceda o segundo grau da Ordem sacerdotal.

A Igreja pede que o novo presbítero seja:
cooperador zeloso da Ordem dos Bispos;
fiel pregador do Evangelho;
dispensador dos mistérios de Deus;
ministro da regeneração batismal;
servidor da mesa eucarística;
ministro da reconciliação;
consolador dos enfermos;
homem de oração em favor do povo e do mundo;
exemplo de vida para todos.

A Oração de Ordenação termina com a conclusão trinitária, à qual todos respondem: “Amém.”

É pela imposição das mãos do bispo e pela Oração de Ordenação que o eleito é constituído presbítero. Os ritos seguintes manifestam visivelmente o ministério sacramental que ele acaba de receber.

8. O revestimento com a estola e a casula

Terminada a Oração de Ordenação, todos se sentam. O bispo recebe novamente a mitra, e o ordenado se levanta.

Alguns presbíteros aproximam-se para colocar-lhe a estola à maneira presbiteral e revesti-lo com a casula.

A estola, que anteriormente era usada pelo diácono de modo transversal, passa a ser colocada segundo o uso próprio dos presbíteros. A casula é a veste litúrgica própria do sacerdote na celebração da Eucaristia.

O revestimento não realiza a Ordenação, que já ocorreu pela imposição das mãos e pela oração. Ele manifesta exteriormente a nova condição ministerial daquele que acaba de ser admitido à Ordem dos Presbíteros.

9. A unção das mãos

Depois do revestimento, o novo presbítero se ajoelha diante do bispo.

O bispo coloca sobre si o gremial de linho e unge com o Santo Crisma as palmas das mãos do ordenado, pronunciando a fórmula prevista pelo rito. Nela, pede que o Senhor Jesus Cristo, ungido pelo Pai com o Espírito Santo e seu poder, guarde o novo sacerdote para a santificação do povo cristão e para a oferta do sacrifício a Deus.

A unção manifesta a participação do presbítero no ministério de Cristo, ungido e enviado pelo Pai. Suas mãos são ungidas em vista do serviço sacramental que lhe é confiado.

Depois da unção, o bispo e o ordenado lavam as mãos.

O rito prevê que, enquanto o ordenado é revestido e suas mãos são ungidas, seja cantada uma antífona apropriada, acompanhada pelo Salmo 109 — “Disse o Senhor ao meu Senhor” — ou outro canto adequado.

10. A entrega do pão e do vinho

Em seguida, os fiéis apresentam o pão sobre a patena e o cálice contendo o vinho e a água para a celebração da Missa. O diácono recebe as oferendas e as conduz ao bispo.

O novo presbítero, ajoelhado diante do bispo, recebe em suas mãos a patena e o cálice. O bispo o exorta a receber a oferenda do povo santo, tomar consciência do que realizará, imitar aquilo que celebrará e conformar sua vida ao mistério da cruz do Senhor.

A entrega do pão e do vinho manifesta concretamente uma das principais responsabilidades do presbítero: presidir a celebração eucarística em comunhão com a Igreja.

O rito não separa a celebração sacramental da vida pessoal do ministro. Aquele que celebra o mistério da cruz é chamado a conformar a própria existência ao sacrifício de Cristo.

11. O ósculo da paz

Depois da entrega da patena e do cálice, o bispo dá ao novo presbítero o ósculo da paz, dizendo:
“A paz esteja contigo.”

O ordenado responde:
“E contigo também.”

O mesmo gesto é realizado por todos ou, ao menos, por alguns dos presbíteros presentes.

O ósculo da paz expressa a acolhida do novo presbítero pelo bispo e por seus irmãos de ministério. Por meio desse gesto, torna-se visível sua inserção na Ordem dos Presbíteros e a comunhão na qual deverá exercer o serviço recebido.

Não se trata simplesmente de uma felicitação ou de um abraço de caráter afetivo. É um gesto litúrgico de paz e comunhão eclesial.

12. A continuação da Missa

Concluídos os ritos explicativos, a Missa prossegue como de costume. O Símbolo é recitado conforme as rubricas, e a Oração Universal é omitida, uma vez que a grande súplica da Igreja já ocorreu por meio das ladainhas.

A Liturgia Eucarística é concelebrada pelo presbítero recém-ordenado e pelos demais presbíteros concelebrantes. Omite-se a preparação do cálice, pois o pão e o vinho já foram preparados e apresentados durante o rito da Ordenação.

Nas intercessões da Oração Eucarística, é feita uma menção própria ao presbítero recém-ordenado. As fórmulas variam de acordo com a Oração Eucarística escolhida, mas todas pedem que Deus conserve e faça frutificar os dons concedidos ao novo ministro.

A concelebração é sua primeira participação na Eucaristia como presbítero. Ele exerce sacramentalmente, pela primeira vez, o ministério para o qual acaba de ser ordenado.

O Pontifical também prevê que os pais e os parentes do ordenado possam receber a Comunhão sob as duas espécies.

Depois da Comunhão, pode ser cantado um hino ou outro canto de ação de graças, seguido da Oração depois da Comunhão.

13. A bênção e os ritos de conclusão

Em lugar da bênção habitual, pode ser utilizada a bênção solene própria prevista para a Ordenação.

Com as mãos estendidas sobre o ordenado e sobre o povo, o bispo pede que Deus:
sustente o novo presbítero com sua graça;
o torne servo e testemunha da caridade e da verdade divina;
faça dele ministro fiel da reconciliação;
o constitua verdadeiro pastor;
permita que distribua aos fiéis o pão e a Palavra da vida;
faça crescer o povo na unidade do Corpo de Cristo.

Depois da bênção, o diácono despede o povo e organiza-se a procissão de retorno à sacristia.

Um ministério recebido para servir

A sequência do rito evidencia que ninguém recebe o presbiterado para si mesmo. O eleito é chamado pelo nome, apresentado pela Igreja, interrogado sobre seus propósitos, sustentado pela oração do povo e constituído presbítero pela ação sacramental realizada pelo bispo.

Os gestos posteriores — o revestimento, a unção das mãos, a entrega do pão e do vinho e o ósculo da paz — tornam visível a missão que lhe foi confiada.

O novo presbítero é chamado a cooperar com o bispo, anunciar fielmente o Evangelho, celebrar os mistérios de Cristo, conduzir o povo de Deus e perseverar na oração. Seu ministério deve ser vivido segundo o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir.

A Ordenação, portanto, não constitui simplesmente um ponto de chegada. Ela inaugura uma nova etapa de dedicação a Cristo e à Igreja, na qual toda a existência do presbítero é colocada a serviço da salvação do povo de Deus.

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