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    Milagre reconhecido pela Igreja para causa de Canonização de João Calábria

    “Toda a existência de João Calábria foi um evangelho vivo, transbordante de caridade: caridade para com Deus e caridade para com os irmãos, sobretudo com os mais pobres. A fonte do seu amor para com o próximo eram a confiança ilimitada e o abandono filial que sentia em relação ao Pai celeste." (São João Paulo II)

    Espiritualidade Calabriana

    06.04.2024 07:20:00 | 8 minutos de leitura

    Milagre reconhecido pela Igreja para causa de Canonização de João Calábria

    Para a canonização, a Igreja pede a Deus outro "sinal", outro milagre, além daquele já feito para a beatificação. Deus já tinha pensado nisso, já o tinha feito, não na Itália, mas na Argentina!

    A miraculada é uma mulher casada. Chama-se Rita Faccioli, de Reconquista, província de Santa Fé. Ela tem dois filhos. É católica praticante, sempre esteve muito ligada às atividades pastorais no seu bairro, preparando os pais para o batismo de seus filhos, as crianças para a primeira comunhão e a crisma, e os jovens para o casamento.

    Em 1986 - aos 45 anos - , descobriu um minúsculo nódulo no seio. Em janeiro do ano seguinte notou que ele tinha crescido muito e, sentindo fortes dores debaixo do braço, em 26 de maio foi internada no hospital da Igreja Adventista del Plata (a 230 km de distância), um conjunto hospitalar muito apreciado em todo o país, sobretudo para esse tipo de doença. Analisaram o nódulo e constataram tratar-se de um câncer "avançado". Levaram-na imediatamente à sala de cirurgia para uma mastectomia total esquerda.

    Seis dias depois da operação, seu estado de saúde agravou-se, e ela perdeu quase completamente a visão do olho direito e ficou paralisada em todo o lado direito do corpo.

    Nesse ponto, os médicos, supondo que a metástase tivesse atacado o cérebro, mandaram-na fazer, em outro hospital especializado, a TAC (tomografia do crânio), que, infelizmente, revelou a presença de metástase na parte esquerda do cérebro. Os médicos do hospital adventista aconselharam então seus familiares a levá-la para casa, pois nada mais tinham a fazer. Era o dia 12 de junho de 1987.

    Seus familiares, porém, não se renderam e, sem ela o saber, decidiram entrar em contato com o Instituto de Oncologia da cidade de Rosário. Para lá levaram todos os exames feitos no Hospital Adventista del Plata e a TAC. Os médicos, examinada toda a documentação, declararam que o caso era gravíssimo. Talvez se pudesse tentar alguma coisa, porém, para decidir, precisavam ver a enferma. Ouvindo isso, seus familiares ficaram aguardando o momento propício para levá-la a Rosário.

    Antes, porém, chamaram um padre da Casa Nazaré, um Pobre Servo da Divina Providência, que, sabendo-a desenganada pelos médicos, aconselhou a começarem uma novena ao padre Calábria. Puseram sobre o corpo da doente um santinho com a relíquia e começaram a rezar. Não esperaram pelo dia seguinte para recitar uma segunda vez a oração da novena, mas, aproveitando a visita de um parente, fizeram toda a novena, com alguns intervalos, no espaço de 24 horas.

    "Na noite seguinte, 13 de junho", conta ela no Processo, "senti-me outra pessoa. Sem dar-me conta, eu movia tranquilamente o braço direito e a perna direita. Também a visão do olho direito voltou ao normal. Em toda a minha pessoa aconteceu uma mudança radical. Recuperei prontamente as forças, de maneira que o pude até me levantar e tomar um banho."

    Diante da inesperada melhora, os familiares entreolhavam-se perplexos, contendo a custo a emoção. Pensaram que seria este o momento mais propício para levá-la ao hospital de Rosário, com o qual já haviam entrando em contato. Assim, no dia 15 de junho, ela foi transportada de avião até aquela cidade. A doente fez com desenvoltura todos os percursos necessários para subir ao avião e dele descer e caminhou desembaraçadamente de um lugar para outro.

    Chegada ao hospital, os médicos ficaram estupefatos ao vê-la naquelas condições. Esperavam encontrar uma moribunda e, em vez disso, encontravam-se diante de uma pessoa... sadia, embora um tanto enfraquecida. Pelos documentos em seu poder, esperavam realmente outra pessoa. Fizeram-lhe logo a TAC do crânio e... nada mais constataram. Compararam as duas radiografias, a anterior, feita havia uma semana, e a daquele dia. Na primeira, viam-se as duas massas de metástase que, na segunda, tinham desaparecido. "Agora a senhora Rita não tem mais o que tinha antes. Para nós, ela pode ir para casa", disseram os médicos. E a senhora Rita Faccioli recebeu alta.

    Assim ela testemunha no Processo:

    "Eu nunca mais senti os sintomas daquela doença. Até hoje me sinto muito bem de saúde, trabalho normalmente nos afazeres domésticos, atendo aos meus dois filhos e ajudo meu marido na administração da oficina de retífica de motores e no trabalho da roça.

    Eu trabalhava muito antes da doença e continuo a fazê-lo agora, também na catequese e em outras iniciativas de apostolado, e faço tudo isso com muito prazer, com muita alegria e sem sentir cansaço. Tenho algo mais a dizer. Qualquer pessoa operada como eu fui tem sempre problemas no braço em que sofreu a cirurgia. No mínimo, o braço operado fica mais inchado que o outro. Para mim não foi assim. Os meus braços estão iguais, e eu nunca tive nenhum incômodo. Vê-se que, quando Deus intervém, ele faz as coisas muito bem feitas.

    Eu, segundo os médicos, devia ter morrido em outubro de 1987. Em vez disso, aqui estou cheia de saúde! É tudo um presente de Deus! Que o beato João Calábria, que espero ver logo canonizado, conceda-me passar o resto da vida num sereno e confiante abandono entre os braços amorosos da Divina Providência, na alegre busca do santo reino de Deus, na minha família, na minha paróquia e em toda a Igreja, como o padre Calábria me ensinou."

    Que pressa este padre Calábria!

    Como postulador da causa, chamo atenção para um pormenor de especial importância. O milagre para a canonização sempre deve acontecer depois da beatificação. Ora, o milagre recém-descrito - o leitor terá notado - aconteceu no dia 13 de junho de 1987, ou seja, antes da beatificação de padre Calábria, ocorrida em 17 de abril de 1988. Como foi possível então tomar em consideração esse milagre para a canonização? Foi possível porque, nas Normas que regulam esta matéria, há uma que permite usar para a canonização um milagre feito antes da beatificação, com a condição, porém, de que tenha ocorrido depois da aprovação do milagre utilizado para a beatificação. Nesse caso, porém, requer-se um pedido específico ao Santo Padre. E este, se tudo está em ordem, de bom grado concede o nada obsta.

    Vê-se que a comunhão dos santos funciona também nestas coisas, e o padre Calábria, na Jerusalém celeste, já estava a par de tudo. De fato, a cura milagrosa de Rita Faccioli aconteceu antes da beatificação, porém..., depois da leitura do Decreto daquele milagre que serviu para a beatificação e, justamente e só por isso, pôde servir - ser utilizado - para a canonização.

    Em 26 de março de 1994, a Congregação para as Causas dos Santos, depois do nada obsta do Santo Padre, permitia iniciar o processo que se abria na diocese de Reconquista, em 14 de junho do mesmo ano e se encerrava em 27 de julho.

    Em 14 de dezembro de 1995, a consulta médica convocada para dar seu parecer sobre a cura de Rita Faccioli, obtida por intercessão do beato João Calábria, suspendia seu parecer e pedia à Postulação uma documentação ulterior que esclarecesse melhor alguns aspectos para poder pronunciar-se sobre o caso com maior clareza.

    Obtida pela Postulação a documentação solicitada, em 4 de julho de 1996 reuniu-se novamente a consulta médica e, à luz da nova documentação, discutiu ulteriormente o caso, concluindo que tal cura, ocorrida sem o auxílio da medicina, de forma imediata, perfeita e duradoura, não podia ser explicada cientificamente. Os médicos param aqui. Não cabe a eles dizer se houve ou não a intervenção de Deus. Isso cabe aos teólogos.

    E eis que então, em 10 de janeiro de 1997, reúnem-se num congresso peculiar os teólogos consultores e, examinada a documentação relativa ao caso, "expressam o seu parecer afirmativo, fazendo votos de que o beato João Calábria avance rapidamente rumo à meta da canonização".

    A coisa ainda, porém, não terminou! Em 8 de abril de 1997, os cardeais e bispos, reunidos em Sessão ordinária, examinada toda a documentação e as conclusões dos médicos e dos teólogos, reconheceram que a cura em questão foi um fato milagroso, ocorrido por intercessão do padre Calábria.

    Mas a declaração oficial e autorizada competia ao papa. E eis que então, em 7 de julho de 1997, na presença de João Paulo II, foi lido o Decreto super miraculo e estabelecida sua promulgação.

    Finalmente, no sábado, 9 de janeiro de 1999, o Sumo Pontífice João Paulo II convocou o Consistório Ordinário Público para o voto sobre a causa de canonização de João Calábria. Ouvida a peroração da causa de canonização do prefeito da Congregação dos Santos, José Saraiva Mantis, o papa decidiu que o beato João Calábria fosse inscrito no Álbum dos Santos, em 18 de abril de 1999, terceiro domingo do tempo pascal.

    GADILI, Mario. SÃO JOÃO CALÁBRIA, Biografia oficial. Paulinas. p. 545-550

    Para conhecer a história completa a senhora Rita, clique aqui e assista ao vídeo no Youtube.

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