Irmão Francisco Perez - Cap. IV
Na hora derradeira, Ir. Francisco Perez respondeu ao chamado de Deus com as mesmas palavras que resumiam toda a sua vida: ‘Pronto! Estou pronto!’.
Storytelling Vocacional
23.09.2025 07:00:00 | 3 minutos de leitura

Capítulo IV – A Morte de um Justo
A madrugada do dia 4 de dezembro de 1937, primeiro sábado do mês consagrado a Nossa Senhora — de quem ele era devotíssimo — marcou o encerramento terreno da vida de Ir. Francisco Perez. Por volta das 4h30, sua alma se elevou silenciosamente ao encontro de Deus. Tinha rezado até a meia-noite com voz clara o Angelus Domini, depois o hino mariano Ave Maris Stella, e, com as forças que lhe restavam, ofereceu a Deus uma série de orações e súplicas. Intercedeu pelo Pe. Calábria, pelos irmãos, pelas casas da Obra, pelo mundo inteiro. A cada nome lembrado, acrescentava uma intenção pessoal, em oração íntima e sincera.
Antes de sua partida, pediu perdão ao enfermeiro por qualquer desgosto que pudesse ter causado, e, mesmo em agonia, respondeu humildemente: “Sou um pobre miserável”. Ao escutar o pedido: “Reze por mim”, respondeu com ternura: “Aguardo você no Céu. Mas agora continue seu trabalho como sempre, na simplicidade”.
Teve uma última visão que o fez dizer: “Eu não sou digno destas rosas; não são para mim”. Em seus lábios, pouco antes da partida, brotou a jaculatória final: “Jesus, José, Maria, expire em paz convosco a alma minha”. E, por fim, resumindo a inteireza de sua vida oblativa, disse: “Pronto! Estou pronto!” — como quem escuta o último chamado de Deus e responde sem hesitar.
A notícia da morte espalhou-se como um sopro de santidade. Muitos se perguntavam: “Apresentamos pêsames ou felicitações?” Para todos era claro: morreu um santo. Sua vida escondida se tornou luminosa na hora da morte. Pe. João, debilitado em saúde, escreveu comovido a seus religiosos: “Meus queridos irmãos, que morte invejável! Mas é preciso dizer que ela foi exatamente o reflexo de sua vida!”.
O enterro de Francisco foi simples, como ele desejaria, sem qualquer solenidade. Mas foi acompanhado por uma multidão que o reconhecia como homem de Deus. Mesmo aqueles que pouco sabiam dele, sentiam-se tocados por sua presença silenciosa. O Cardeal Piazza escreveu: “Conheci nele uma autêntica figura de santo dos nossos dias”.
A fama de sua santidade não se apagou com o tempo. Ao contrário, cresceu em silêncio, como um perfume que se espalha sem barulho. A memória do Irmão que renunciou a tudo para viver com os pequenos — em pobreza real e escondimento radical — continua a ser um farol que aponta para o essencial. A santidade que ele viveu não foi espetacular, mas cotidiana, concreta, perseverante. Um reflexo puro do Evangelho.
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