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Hospital Divina Providência: um sonho de fé que se tornou referência em saúde na Amazônia

Assumida pelos Pobres Servos da Divina Providência em 1991, a missão em Marituba, no Pará, transformou o sonho de Dom Aristides Pirovano e do Dr. Marcello Candia em uma obra que hoje atende pacientes de todo o Estado, unindo assistência à saúde, inovação, solidariedade e fidelidade ao carisma de São João Calábria.

65 anos

27.08.2026 12:17:51 | 8 minutos de leitura

Hospital Divina Providência: um sonho de fé que se tornou referência em saúde na Amazônia

Celebrar os 65 anos da presença dos Pobres Servos da Divina Providência no Brasil é percorrer uma história marcada por diferentes lugares, desafios e formas de servir. Na Amazônia, um dos capítulos mais significativos dessa trajetória começou oficialmente em 5 de fevereiro de 1991, quando a Congregação assumiu a continuidade da missão desenvolvida em Marituba, no Pará.

Mas a história que daria origem ao Hospital Divina Providência havia começado antes. Suas raízes estão no compromisso de Dom Aristides Pirovano e de seu amigo Dr. Marcello Candia com os moradores da antiga Colônia de Hanseníase de Marituba. Diante de uma realidade marcada pelo sofrimento e pelo abandono, ambos desenvolveram ações pastorais, sociais e sanitárias voltadas à dignidade das pessoas e de suas famílias.

Com o retorno de Dom Aristides à Itália, em 1991, os Pobres Servos receberam a responsabilidade de dar continuidade às atividades existentes e, ao mesmo tempo, assumir um grande desafio: construir um hospital geral capaz de oferecer atendimento digno especialmente às populações mais vulneráveis da Região Metropolitana de Belém e do interior do Pará.

Uma pedra fundamental e muita confiança

Um momento decisivo aconteceu em 23 de fevereiro de 1992. Depois da celebração da Santa Missa na Igreja Nossa Senhora de Nazaré, estava prevista uma procissão da comunidade até o terreno onde seria construído o hospital, para a bênção da pedra fundamental.

Uma forte chuva, porém, impediu a caminhada e obrigou a adaptação da cerimônia. O episódio, longe de desanimar a comunidade, tornou-se uma das lembranças dos primeiros passos daquela obra que nascia sob o signo da confiança na Divina Providência.

As chuvas também retardaram o início da construção. As obras começaram efetivamente em 13 de abril de 1992 e se prolongaram durante quatro anos, sustentadas pela generosidade de numerosos benfeitores, especialmente italianos. O nome escolhido — Hospital Divina Providência — expressava justamente a convicção de que aquela obra era fruto da Providência de Deus manifestada também por meio da solidariedade de muitas pessoas.

A construção foi concluída em 1996. No início de 1997 começaram os primeiros atendimentos, inicialmente com o serviço de Radiologia destinado aos pacientes do Abrigo João Paulo II. Aos poucos foram abertas as clínicas pediátrica, médica, obstétrica e cirúrgica. A primeira internação em Pediatria ocorreu em 8 de setembro de 1997; dois dias depois, em 10 de setembro, aconteceu a primeira internação em Clínica Médica. Em 1º de junho de 1998, foi realizada a primeira internação obstétrica e nasceu o primeiro bebê do Hospital.

Finalmente, em 29 de agosto de 1998, ocorreu a inauguração oficial. A celebração reuniu representantes da Congregação, da Delegação Nossa Senhora Aparecida, autoridades públicas, benfeitores, amigos de Dom Aristides e lideranças locais. Era a concretização de um projeto construído com trabalho, solidariedade, espírito missionário e confiança em Deus.

Uma missão que continuou crescendo

A inauguração não encerrou o sonho. Ao contrário, marcou o começo de uma nova etapa.

Nas décadas seguintes, o Hospital ampliou progressivamente sua capacidade de atendimento. Entre os serviços implantados estão a Unidade de Terapia Renal Substitutiva, o Banco de Leite Humano, o Centro Obstétrico, um novo Centro Cirúrgico, a ampliação da UTI Adulto, a Unidade Neonatal e o Centro de Parto Normal.

Em 2009, a implantação da Unidade de Terapia Renal Substitutiva, com o serviço de hemodiálise, representou uma importante ampliação da assistência. Em 2012, o Hospital sediou, a pedido da Arquidiocese de Belém, a abertura da Campanha da Fraternidade, que naquele ano abordava o tema “Fraternidade e Saúde Pública”. A escolha da instituição reconhecia também sua presença e seu compromisso com a promoção da vida e o cuidado dos enfermos.

Em 2016, o Hospital retornou à Rede Estadual do Sistema Único de Saúde, fortalecendo sua atuação como referência em média e alta complexidade. Entre 2015 e 2020, uma expressiva expansão da infraestrutura acrescentou novos serviços e estruturas assistenciais.

Presença também nos momentos mais difíceis

A história do Hospital foi igualmente marcada pela capacidade de responder às situações de maior necessidade.

Durante a pandemia da COVID-19, entre 2020 e 2022, a instituição permaneceu em funcionamento e acolheu pacientes acometidos pela doença sem interromper serviços essenciais. As portas da urgência em traumatologia, ortopedia e obstetrícia permaneceram abertas, reafirmando a missão de servir mesmo diante de uma das maiores crises sanitárias da história recente.

Nos anos seguintes, o processo de crescimento continuou, acompanhado por investimentos em tecnologia, qualificação da assistência e modernização da gestão. Foram implantados, entre outros recursos, os serviços de Ressonância Magnética e Densitometria Óssea. O Banco de Leite Humano recebeu reconhecimento da Organização Pan-Americana da Saúde, do Ministério da Saúde e da Fiocruz, enquanto o Hospital alcançou a classificação Diamante no Programa Nacional de Avaliação da Rede Prestadora da Unimed.

Referência para 123 municípios paraenses

Hoje, o Hospital Divina Providência é um hospital geral filantrópico integrante do Sistema Único de Saúde, com atuação em média e alta complexidade e atendimento à Região Metropolitana de Belém e a diversos municípios paraenses.

Sua estrutura oferece serviços de urgência e emergência, ambulatório de especialidades, internação hospitalar, centro cirúrgico com especialidades de média e alta complexidade, maternidade, terapia intensiva adulto, cuidados neonatais, terapia renal substitutiva, diagnóstico por imagem, laboratório clínico e outras áreas especializadas.

Os números ajudam a dimensionar o alcance dessa missão. Somente em 2025, o Hospital recebeu pacientes provenientes de 123 municípios do Pará, realizou 118.881 atendimentos e 216.346 procedimentos.

São números expressivos, mas que representam, sobretudo, pessoas: crianças, mães, idosos, famílias e pacientes que encontram na instituição assistência profissional e acolhimento.

Cuidado com a pessoa e com a Casa Comum

O desenvolvimento da instituição também passou a incorporar de maneira mais intensa a dimensão da sustentabilidade. Com recursos da Fundazione Amici di San Giovanni Calabria, de Verona, foi viabilizada a implantação de uma usina de geração de energia fotovoltaica. Em 2026, a usina entrou em operação, integrando inovação, sustentabilidade econômica, responsabilidade ambiental e compromisso com a Ecologia Integral e o cuidado da Casa Comum.

Ao mesmo tempo, a modernização alcançou a gestão hospitalar, com a implantação de um novo sistema e do prontuário eletrônico. A formação dos colaboradores também foi intensificada, com mais de uma centena de capacitações em áreas como gestão, liderança, qualidade, segurança do paciente, assistência hospitalar e Espiritualidade Calabriana.

A experiência desenvolvida em Marituba ganhou ainda projeção internacional. Em novembro de 2025, durante atividades relacionadas à COP30 e à COP Pastoral, o Hospital apresentou sua experiência de Desenvolvimento Humano Integral na Amazônia e recebeu visitas de autoridades civis e eclesiásticas, entre elas o Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, e o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani.

E novos passos já estão projetados. Foi aprovada uma parceria com o Ministério das Relações Exteriores da Itália para investimentos nas áreas de Nefrologia, Ginecologia, Reabilitação e Formação de Gestores da Saúde, em projeto previsto para ser desenvolvido durante três anos a partir de 2027.

Uma história construída por muitas mãos

Nada disso seria possível sem uma extensa rede de solidariedade. A história registra a contribuição de benfeitores italianos e brasileiros, instituições públicas, organismos parceiros, religiosos, colaboradores e voluntários.

Entre os apoiadores, o documento destaca a Associazione Amici di Monsignore Aristide Pirovano, de Erba, na Itália, liderada por Gino Farina e Enrica Cavenaghi. A mobilização realizada por esses benfeitores ajudou a tornar possíveis a própria construção do Hospital, a implantação da primeira UTI, a aquisição da primeira ambulância, do primeiro mamógrafo e de equipamentos para o laboratório.

O Governo do Estado do Pará e o Ministério da Saúde também tiveram papel relevante. Por meio do Projeto REFORSUS, aproximadamente 60% dos equipamentos necessários para a entrada em funcionamento da instituição foram financiados. A essa rede somaram-se benfeitores paraenses, empresários e lideranças locais.

A Providência continua escrevendo esta história

Passadas mais de três décadas desde que os Pobres Servos assumiram a missão em Marituba, é possível compreender a dimensão daquela decisão de 1991. O que foi recebido como um grande desafio tornou-se uma presença consolidada de cuidado e promoção da vida na Amazônia.

O sonho iniciado por Dom Aristides Pirovano e Dr. Marcello Candia permanece vivo por meio dos religiosos, colaboradores, profissionais, voluntários, benfeitores e parceiros que deram continuidade à missão.

Nos 65 anos da presença dos Pobres Servos da Divina Providência no Brasil, recordar o Hospital Divina Providência é reconhecer mais uma semente que vingou. De uma missão assumida em 1991 nasceu uma obra que atravessou décadas, ampliou serviços, incorporou tecnologia e alcançou milhares de pessoas, sem perder a razão fundamental de sua existência: servir à vida, especialmente onde ela mais necessita de cuidado.

Em Marituba, o carisma de São João Calábria continua encontrando uma expressão concreta: competência profissional unida ao acolhimento, solidariedade e amor aos mais pobres. Mais do que uma estrutura hospitalar, o Divina Providência permanece como sinal de uma missão que acredita que Deus cuida de seus filhos também através das mãos daqueles que se colocam a serviço.

65 anos de presença no Brasil. Uma história de fé, serviço e confiança em Deus Pai Providente.

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