Vaticano publica Exortação Apostólica Dilexi te, do Papa Leão XIV
Um chamado a redescobrir o amor de Cristo nos pobres
Igreja
09.10.2025 09:19:59 | 4 minutos de leitura

O Vaticano publicou nesta sexta-feira, 4 de outubro de 2025, memória litúrgica de São Francisco de Assis, a primeira Exortação Apostólica do Papa Leão XIV, intitulada Dilexi te (“Eu te amei”), dedicada ao tema do amor para com os pobres. O documento, de grande densidade teológica e pastoral, nasce como continuidade espiritual da encíclica Dilexit nos de Francisco e aprofunda o vínculo inseparável entre o amor de Cristo e o compromisso da Igreja com os mais necessitados.
Logo nas primeiras linhas, Leão XIV recorda a herança espiritual recebida de seu predecessor e assume como missão própria fazer ressoar, no início de seu pontificado, a voz dos que não têm voz: “Tens pouca força, pouco poder, mas Eu te amei (Ap 3,9)”. A partir dessa frase, o Papa constrói toda a reflexão sobre o amor de Deus que se revela na proximidade e no cuidado com os pobres, afirmando que “no apelo a reconhecê-Lo nos pobres e atribulados revela-se o próprio coração de Cristo”.
Uma Igreja pobre e para os pobres
Na Exortação, o Santo Padre reafirma o desejo de uma Igreja que viva a pobreza evangélica não como ideologia, mas como fidelidade ao Evangelho: “O amor pelos pobres é a garantia evangélica de uma Igreja fiel ao coração de Deus.” Leão XIV revisita a tradição bíblica e patrística para mostrar que o cuidado com os necessitados sempre foi parte essencial da vida cristã, desde os Atos dos Apóstolos até as grandes figuras da caridade na história da Igreja.
Inspirando-se em São Francisco de Assis, o Papa destaca que a verdadeira força da Igreja não está nas estruturas ou no prestígio, mas na capacidade de se aproximar das feridas do mundo: “O contato com quem não tem poder nem grandeza é um modo fundamental de encontro com o Senhor da história. Nos pobres, Ele ainda tem algo a dizer-nos.”
A pobreza no coração da história da salvação
Leão XIV traça um percurso profundo sobre o “Deus que escolhe os pobres”, mostrando que a encarnação de Jesus é o gesto supremo dessa escolha: o Filho de Deus, “sendo rico, se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor 8,9). A Exortação percorre o testemunho dos santos, a vida monástica, as ordens mendicantes, os movimentos populares e a Doutrina Social da Igreja, compondo uma autêntica “história de amor pelos pobres” que atravessa dois mil anos de cristianismo.
Denúncia profética e esperança ativa
O Papa não se limita à contemplação espiritual. Denuncia as “estruturas de pecado” que geram exclusão e desigualdade, chamando à responsabilidade moral e política diante da pobreza contemporânea. “As estruturas de injustiça devem ser reconhecidas e destruídas com a força do bem, através da mudança de mentalidades”, afirma. Leão XIV exorta a comunidade cristã a unir contemplação e compromisso: “Não basta a assistência; é preciso a justiça, e esta nasce do amor.”
O amor como critério de autenticidade
O documento conclui com um forte apelo à conversão pessoal e comunitária: “O amor cristão supera todas as barreiras, aproxima os que estão distantes, une os estranhos, torna familiares os inimigos, atravessa abismos humanamente insuperáveis.” E recorda que cada gesto de cuidado é prolongamento da caridade de Cristo: “Quer através do vosso trabalho, quer através do vosso empenho em mudar as estruturas injustas, quer através daquele gesto simples e próximo, será possível que aquele pobre sinta serem para ele as palavras de Jesus: ‘Eu te amei’.”
A Exortação Apostólica Dilexi te é, portanto, um marco inaugural do pontificado de Leão XIV e um convite vigoroso à Igreja inteira para reacender o amor evangélico, construindo um mundo mais fraterno, justo e compassivo, onde o rosto de Cristo seja reconhecido nos pobres.
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Imagem criada por IA, meramente ilustrativa.
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