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Cuidar da Vida: CNBB atualiza cartilha sobre prevenção do suicídio entre adolescentes e jovens

Material oferece orientações para agentes de pastoral, educadores e lideranças e reforça a importância da escuta, do acolhimento e da construção de redes de cuidado. Para os Pobres Servos da Divina Providência, a iniciativa dialoga com a missão de acolher e promover a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada.

Notícias

29.09.2026 05:25:15 | 6 minutos de leitura

Cuidar da Vida: CNBB atualiza cartilha sobre prevenção do suicídio entre adolescentes e jovens

A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disponibilizou a edição revisada e atualizada da cartilha “Cuidar da Vida – Prevenção de suicídio entre adolescentes e jovens”. O material foi preparado para auxiliar agentes de pastoral, educadores e lideranças no desenvolvimento de ações de prevenção, acolhimento e promoção da vida junto às novas gerações.

A publicação é fruto de um caminho formativo desenvolvido em diferentes regiões do Brasil e nasce da preocupação da Igreja com situações de sofrimento vividas por adolescentes e jovens. A proposta é preparar pessoas capazes de reconhecer situações que necessitam de atenção, oferecer uma escuta acolhedora e fortalecer redes que possibilitem o encaminhamento para acompanhamento adequado.

A própria cartilha apresenta o Cuidar da Vida como um projeto voltado à atenção à saúde mental de adolescentes e jovens e destaca a formação de multiplicadores como estratégia para ampliar o cuidado. A iniciativa está ligada ao Eixo Cidadania – Casa Comum e Dignidade Humana e foi desenvolvida com a participação da Pastoral Juvenil, Pastoral da Educação e profissionais especializados. 

Uma rede que se multiplica

Desde 2024, o projeto vem realizando formações presenciais em diferentes regiões do país. Cuiabá (MT), Manaus (AM), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Imperatriz (MA) e São Paulo (SP) receberam etapas da iniciativa. Em janeiro de 2025, uma edição especial aconteceu em Nova Santa Rita (RS).

Ao todo, 193 participantes foram capacitados nas sete edições realizadas, com a missão de levar os conhecimentos adquiridos para dioceses, paróquias, pastorais, movimentos juvenis e ambientes educacionais.

Essa dimensão multiplicadora ocupa lugar central no projeto. A cartilha explica que o objetivo é formar pessoas que possam atuar na prevenção junto a adolescentes e jovens, especialmente nos grupos e movimentos juvenis e nas escolas. O projeto também prevê o cuidado e o consolo às pessoas e famílias atingidas pela perda de alguém por suicídio. 

Assim, o cuidado não se encerra na formação de quem participa diretamente dos encontros. Cada pessoa preparada pode tornar-se presença de acolhida em sua comunidade, ajudando a construir ambientes nos quais adolescentes e jovens encontrem espaço para falar, ser escutados e receber ajuda.

Acolher, escutar e encaminhar

Entre os conteúdos abordados, a cartilha apresenta elementos sobre adolescência e juventude, fatores de risco, prevenção, comportamento suicida, acolhimento em situações de crise, busca de ajuda especializada e posvenção — o cuidado dirigido às pessoas afetadas por uma tentativa ou morte por suicídio. 

Um dos aspectos importantes do material é a orientação para que quem acolhe uma pessoa em sofrimento não procure resolver sozinho uma situação que exige acompanhamento especializado. A publicação sintetiza a prevenção em três atitudes — Risco, Ouvir e Conduzir (ROC): perceber possíveis sinais de risco; ouvir com atenção, respeito e sem julgamentos; e conduzir a pessoa para atendimento de profissionais e serviços de saúde mental. 

A escuta aparece, portanto, como uma dimensão fundamental do cuidado. O material orienta que ela seja realizada com respeito, disponibilidade de tempo e atenção às palavras, emoções e gestos da pessoa, evitando julgamentos e interrupções. 

Cuidar das vidas fragilizadas: uma missão que nos compromete

Para a Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência, a proposta encontra profunda sintonia com uma missão vivida diariamente em diferentes realidades: acolher, cuidar e promover a vida, especialmente quando ela se apresenta pobre, vulnerável ou fragilizada.

Nas atividades sociais, educacionais, de saúde, paroquiais, pastorais e de evangelização desenvolvidas pela Congregação, crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos e famílias são encontrados em circunstâncias muito diversas. Em cada uma dessas realidades, o cuidado integral da pessoa exige proximidade, respeito, escuta e capacidade de construir pontes para que ninguém enfrente sozinho suas fragilidades.

Essa perspectiva ajuda também a compreender que a prevenção do suicídio não é responsabilidade exclusiva dos profissionais da saúde. Embora o acompanhamento especializado seja indispensável nas situações que o exigem, comunidades, famílias, escolas, obras sociais e espaços pastorais podem contribuir criando ambientes humanos de acolhida, pertença e escuta, além de saber reconhecer quando é necessário buscar ajuda profissional.

Nesse sentido, a orientação da cartilha é clara: diante de uma situação de crise, quem acolhe não deve guardar o problema para si nem tentar resolver tudo sozinho, mas “acolher, escutar e encaminhar”. 

Para a espiritualidade calabriana, cuidar da pessoa concreta e de sua dignidade também significa reconhecer a presença de Deus na vida que pede cuidado. A confiança na Divina Providência não dispensa a responsabilidade humana; ao contrário, impulsiona a tornar-se instrumento da Providência na vida dos irmãos e irmãs, especialmente daqueles que atravessam situações de maior sofrimento.

Cuidar da vida durante todo o ano

Embora o Setembro Amarelo ajude a ampliar a conscientização social sobre a prevenção do suicídio, a promoção da vida não pode ficar restrita a um mês. Trata-se de um compromisso permanente que precisa alcançar famílias, comunidades, escolas, grupos juvenis, instituições sociais e espaços pastorais.

A cartilha recorda justamente a necessidade de ampliar a rede de cuidado. Além dos serviços especializados, incentiva a identificação, em cada município, de instituições e iniciativas capazes de acolher pessoas em sofrimento e ressalta a importância do apoio e da compreensão oferecidos a quem enfrenta uma situação de vulnerabilidade. 

Ao disponibilizar gratuitamente o material, a Comissão Episcopal para a Juventude convida dioceses, paróquias, comunidades, pastorais, movimentos, escolas e demais instituições que acompanham adolescentes e jovens a utilizá-lo e contribuir para a multiplicação dessa rede.

Cuidar da vida é aprender a perceber, aproximar-se, escutar e encaminhar. É fazer com que uma pessoa fragilizada encontre, em meio ao sofrimento, uma presença que lhe diga, por meio de gestos concretos, que sua vida importa e precisa ser cuidada.

Baixe gratuitamente a cartilha

A cartilha “Cuidar da Vida – Prevenção de suicídio entre adolescentes e jovens” está disponível gratuitamente:

Baixe aqui a cartilha “Cuidar da Vida”.

Com informações do site da CNBB.

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