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    Atividade ecumênica do Pe. Calábria

    “Uma finalidade nossa, dos Pobres Servos, deve ser também esta: cooperar para a unidade cristã. Oh, se o movimento em direção à Casa do Pai comum, em busca do rebanho de Pedro, se iniciasse em larga escala, quanto bem viria disto para as almas, quanta glória para Deus!”.(São João Calábria)

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    11.05.2024 07:00:00 | 12 minutos de leitura

    Atividade ecumênica do Pe. Calábria

    Texto atribuído ao Pe. Gaetano Gecchele

    Desde pequeno São João Calabria teve encontros com pessoas de outras Igrejas. A divina Providência quis prepará-lo ao contato, conhecimento e amor por pessoas de diferentes credos. Abria-lhe assim a mente e o coração a uma visão abrangente e compreensiva da realidade humana.

    O primeiro encontro com um cristão protestante que os biógrafos recordam que João Calábria teve foi com o menino Goffredo, filho de Cristiano Friedmann, um alemão, que fez amizade, e começou a frequentar o oratório, o catecismo e foi inscrito entre os coroinhas, embora protestante. Após o retorno do serviço militar do Calábria, que o tinha afastado por dois anos, Goffredo permanecendo bem firme no propósito de tornar-se católico, com a licença de seus pais, foi batizado e crismado. Dois anos mais tarde, entrou no seminário de uma congregação de Verona, ficou religioso e padre. Foi missionário nos Estados Unidos e morreu com fama de santidade.

    Jovem sacerdote, nos anos de 1908-1909, assistiu em Milão um senhor protestante, que embora esperasse um pastor da sua religião, que não veio, aceitou o sacerdote católico Calábria, que lhe deu os confortos religiosos antes da morte.

    Durante a guerra de 1915-18 acolheu Eugenio, um operário protestante emigrado, originário da Alsázia, que porém participava das celebrações religiosas da Casa. Também a seu respeito o Calábria pediu que ninguém fizesse pressão para que se convertesse ao catolicismo. Por causa deste gesto de acolhida caridosa, o Calábria teve que pagar uma multa, pois a Alsázia durante aquela guerra era considerada inimiga da Itália. 

    Outros fatos, que simplesmente acenamos:
    o menino católico num Instituto protestante de Veneza;
    o padre católico, que em 1941, na Albânia pediu ao Calábria se pudesse hospedar meninos filhos de famílias ortodoxas, dispostos a converter-se ao catolicismo;
    os 15 rapazes ortodoxos da Ucrânia, alguns dos quais foram batizados... 
    a jovem protestante que “não sabia como comportar-se” diante de um padre;
    o senhor alemão, protestante, estudioso de história e de arquivística, acolhido em Nazareth, de maio até dezembro de 1945;
    o pastor protestante alemão, apresentado pelo Mons. Chiot (beijo recíproco das mãos, desabafo do pastor contra a Igreja católica, vossas mãos dão a Eucaristia, as nossas apenas abençoam);
    18.07.45: capelão protestante, apresentado por um capelão católico (paternidade de Deus e fraternidade universal: falando em italiano-dialeto, tradução difícil, mas é o espírito do Pe. Calábria que impressiona e: se todos falassem assim, não haveria mais divisões e acabariam as discussões); 
    no outono de 1945 um capelão militar alemão, de religião protestante, visitou o Pe. Calábria por 2-3 vezes. Em seguida lhe escreveu uma carta belíssima;
    o coronel do exército búlgaro, ortodoxo, hóspede em S. Zeno in Monte, fascinado pela caridade e espiritualidade do Pe. Calábria, que depois de um ano se torna católico;
    o barão alemão, hóspede de Maguzzano, que em 1949, depois de ter experimentado o clima respirado naquela abadia no imediato pós-guerra, retorna e se torna católico, recebendo o batismo crisma e primeira comunhão;
    o metropolita romeno Visarion Puiu, hóspede de Maguzzano;
    a correspondência entre o Pe. Calábria e o luterano C.S. Lewis;
    o sonho dos Cenáculos de recolhimento: “Desde vários anos me fascina a ideia de convidar os Chefes de confissões cristãs em boa fé em lugares aptos, que eu chamaria de cenáculos de recolhimento, de oração para conhecer-se reciprocamente, para uma troca de ideias, sem discussões ou contendas, com o único objetivo e desejo de conhecer a verdade, invocando junto o Espírito Santo, na caridade e humildade, para serem iluminados pela sua luz e inflamados pelo fogo da sua caridade... e se para a Itália fosse considerado um lugar apropriado nossa casa de Maguzzano, eu seria bem feliz de colocar tal casa à disposição... Tive que falar, pois não me sentiria tranquilo no leito de morte se tivesse me calado” (Ao Pe. Domenico Barbieri).

    UT OMNES UNUM SINT
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    ECUMENISMO: os Irmãos separados em São João Calábria

    Em 1940 Pe. Calábria escrevia ao visitador apostólico, Abade E. Caronti:

    “Fascina-me a ‘Laus perennis’: adoração eucarística e oração ininterrupta pela Igreja, pelo retorno dos irmãos separados; aos poucos tudo isso irá se realizar”. (Doc.4871 ao Abade Caronti, de 30.04.1940.)

    Para oferecer aos sacerdotes que faltaram aos seus compromissos um meio muito eficaz para se reabilitar, Pe. Calábria institui em Maguzzano a adoração eucarística perpétua. Tais sacerdotes se revezam perante Jesus sacramentado, perenemente exposto, na adoração, reparação e oração. A finalidade da adoração era a de obter o perdão pleno de suas faltas e das de todos os sacerdotes, mas em particular dos que abandonaram o reto caminho. Outra finalidade importante devia ser a de rezar pela unidade dos cristãos.

    O problema da divisão dos cristãos é um dos tantos problemas que Pe. João sentiu desde jovem sacerdote. A partir de 1920 celebrava e convidava a celebrar a semana de orações pela unidade da Igreja com um empenho e solenidade particular em todas as Casas da Obra. Em 1940 começou a corresponder-se com a “Catholica Unio” de Friburgo e ofereceu a Casa de Maguzzano como centro de difusão de tal Associação na Itália.

    Quatro séculos antes, Maguzzano tinha sido sede e testemunha de um trabalho intenso para reatar a Inglaterra de Henrique VIII com Roma. Ali havia morado de fato, por alguns meses, o cardeal inglês Reginaldo Pole em 1553 e ali havia gastado suas melhores energias e entusiasmos em favor do retorno de sua Pátria à união com Roma. Todavia, foram tentativas vãs. Infelizmente, também a oferta de Pe. Calábria à Catholica Unio em 1940, embora aceita e apreciada, era destinada a permanecer letra morta.

    Maguzzano, porém, continuará a ser sede da adoração eucarística e de oração pela unidade da Igreja. “De maneira nenhuma podemos ficar indiferentes – escreve Pe. João em 1944 – face à imensa multidão de irmãos que há séculos vivem separados do único redil de Nosso Senhor Jesus Cristo”. (Cartas op. cit. Carta XXXIV, 20 de janeiro de 1944, p. 153.)

    Pe. Calabria é realmente uma antena sensibilíssima que capta todas as ondas e os problemas da Igreja. Nada de tudo aquilo que interessa a Cristo e à sua Igreja pode deixá-lo indiferente. 

    Ele declara que uma das finalidades de sua Congregação deve ser a de preocupar-se para que se realize a unidade cristã:

    “Uma finalidade nossa, dos Pobres Servos, deve ser também esta: cooperar para a unidade cristã. Oh, se o movimento em direção à Casa do Pai comum, em busca do rebanho de Pedro, se iniciasse em larga escala, quanto bem viria disto para as almas, quanta glória para Deus!”.( A voz do Pai, op. cit., p. 49.)

    Em outras ocasiões, assim escreve:

    "Um pouco mais tarde, tendo tido conhecimento da belíssima obra, a "Catholica Unio", presidida por Sua Excelência Mons. Bosson, bispo de Zurique, correu entre nós uma longa correspondência, para estabelecer na predita casa um centro de irradiação em favor da tal “União” para a Itália. De nossa parte nós colocaríamos a disposição a nossa escola tipográfica a tal fim. Mas quando tudo estava organizado, a Providência dispôs que nada mais se pudesse fazer, embora nós tenhamos ficado inscritos, com plena adesão aos fins que a “União” visava. Se o senhor, Eminência, que toma muito a peito o retorno dos Irmãos separados, e que agora está conhecendo a nossa disponibilidade, considerasse oportuno servir-se de nós de qualquer maneira, lhe bastará dar-nos um sinal. De todo coração nós colocaremos à disposição nossas fracas forças, confiantes naquele que ajuda sempre a boa vontade". (TISSERANT CARD. EUGENIO   * 5895   21-11-1942)

    "Num destes dias, durante a hora semanal de adoração, o seu nome veio à minha mente com insistência. Eu pensava na união das Igrejas dissidentes. Parecia-me de sentir interiormente uma voz: esta é mesmo a hora de trabalhar com este escopo, o terreno está pronto. Em verdade, considerando bem as coisas, neste grande cataclismo muitas barreiras caíram e a mentalidade dos nossos Irmãos separados mudou profundamente e nós mesmos iniciamos a ver e a estudar o importante problema com compreensão assaz maior. O desejo de ver unidos os queridos Irmãos separados vou levá-lo comigo no sepulcro." (BARBIERI P. DOMENICO * 8638   Verona 14-12-1943).

    "Irão olhar para nós estes estudiosos, virão ao nosso encontro os Irmãos separados, os pagãos, o mundo inteiro, à procura da luz e da vida; que terrível responsabilidade seria a nossa, se eles, vendo os nossos exemplos, o nosso modo de vida contrário ao Evangelho e à lei de Deus, tivessem que voltar às suas crenças, às suas ideias dizendo: ‘Mas que comédia é essa! Dizem que são cristãos, seguidores de Cristo e do seu ensinamento, mas na realidade vivem como nós e pior do que nós!’" (LETT. COLLETT. * LETTERA XL - Festa dos Ramos, 25 de março de 1945)

    "Que Jesus até o fim da sua missão o conforte, o ajude, o sustente em todas as provações e lhe conceda a graça de ver os milagres da sua onipotência e misericórdia para com toda a pobre humanidade e de maneira especial com o retorno dos caros Irmãos separados, anseio contínuo do Coração de Jesus". (LOMBARDI P. RICCARDO S. J.   * 5024   22-2-48).

    "A Obra tem por finalidade, de maneira especial, a expiação e reparação, particularmente para nós sacerdotes, religiosos e cristãos. Mais que combater os nossos inimigos é necessário rezar, padecer e sofrer, sacrificar-se pela sua conversão e assim por todos os nossos irmãos separados. O erro deve ser combatido, mas os homens, todos eles, devem ser amados e por eles deve-se rezar". (DIARIO * 1690 13 de maio de 1947).

    "Na realidade, desde os meus primeiros anos de sacerdócio sempre pensei no retorno dos Irmãos separados como um dos anseios mais ardentes do sacratíssimo Coração de Jesus, que na última Ceia rezou ao Pai afim de que os crentes no seu nome fossem uma coisa só: "Ut omnes unum sint". E quando uns trinta anos atrás apareceu no jornal L’Osservatore Romano a primeira notícia a respeito da Semana de oração pela unidade dos Cristãos, logo escrevi ao saudoso Arcebispo Mons. André Caron, rogando-o para que colocasse sua boa mediação junto da competente autoridade, para que tal prática pudesse ser estendida a toda a cristandade. Pouco ou nada foi possível conseguir então, mas hoje este desejo distante se tornou uma feliz realidade. Todavia nas Casas da nossa Obra, desde aquela época todos os anos foi feita esta santa prática, promovendo também a melhor divulgação.
    Além disso, quando a divina Providência, por caminhos admiráveis, nos concedeu a posse da antiga Abadia beneditina de Maguzzano, junto do lago de Garda, que os Padres Trapistas deixaram livre ao retornar à França, foi instituída na Capela do Instituto, com a aprovação do Ordinário, a adoração eucarística cotidiana, com o objetivo preciso de obter o retorno dos Irmãos separados". (TISSERANT CARD. EUGENIO   * 5895/A   21-12-1949).

    "Uma das características de Deus é a sua lentidão, mas chega sempre e com certeza. Também com respeito ao retorno dos Irmãos separados, que até poucos anos atrás parecia algo muito distante e quase que impossível aparece a nós como uma alvorada radiosa, como um fruto maduro que Deus nos convida a colher." (PRO MEMORIA * 8180/A (do exame interno parece ser de 1949)).

    “Ah, se todos os Irmãos separados, entre os quais frequentemente se encontram pessoas em boa fé, realmente escolhidas, tocados pela graça de Deus retornassem à unidade da Igreja de Jesus, que força seria, diante de Deus e diante do mundo! Isto, fora de qualquer dúvida é fruto da graça, mas nós podemos e devemos colaborar para isso com a oração e, sobretudo, com uma vida praticamente cristã e santa. Este é também o objetivo da nossa humilde Obra, que visa isto com todas as suas forças, ara o advento do Reino de Jesus nesta terra. Qual honra, mas também qual responsabilidade é a nossa!” (GIACOMINI DON PIETRO * 6212 Festa del Nome di Gesù Verona, 4-1-1953).

    “Cartas importantíssimas dos queridos Irmãos separados, mas que nos dizem o quanto nos sejam próximos com a caridade, com a oração; fazer de tudo, especialmente com a santidade da nossa vida, para que retornem ao Pai... Ut unum sint: voz contínua de Jesus”. (IRMÃOS SEPARADOS * 5615/D [Sem data]).

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    Oração oficial da Semana de Oração pela Unidade Cristã 2024

    Tu, Cristo, vens depositar em nós tua luz de paz. E entendemos que viver em comunhão contigo é descobrir um caminho iluminado pelo teu Espírito Santo.

    Nesse caminho, nos chamas a caminhar juntos, com um coração simples, que busca entender mais do que ser entendido.

    Tu nos tornas atentos aos dons que podemos receber uns dos outros, na tua Igreja. Tu reanimas em nós o amor da tua Palavra e nos enches da confiança no teu amor oferecido a cada ser humano sem condições.

    Queres que seu amor indiviso tenha rostos, nossos rostos, iluminando outros rostos, para que do fogo do teu amor nasça uma nova humanidade de irmãs e irmãos.

    Desperte em nós a paixão pela unidade visível de todos os cristãos.

    Tu nos chamas a nos tornar juntos testemunhas de reconciliação, de escuta e de justiça. 

    Abençoa-nos, Cristo, mantenha-nos no espírito das bem-aventuranças: alegria, simplicidade, misericórdia.

    Amém.

    Oração disponível no site do CONIC


    Semana de Oração (SOUC), edição 2024
     
    PERÍODO
     De 12 a 19 de maio.
     

    TEMA
    “Amarás a Deus e a pessoa próxima como a ti mesmo.” (cf Lc 10,27)

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