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    A oração que Jesus nos ensinou: o Pai-Nosso

    Cadernos sobre a oração - 8

    Jubileu 2025

    27.06.2024 08:36:07 | 6 minutos de leitura

    A oração que Jesus nos ensinou: o Pai-Nosso

    Padre Rafael Pedro Susrina, psdp.

    Os antecedentes em Marcos

    O Evangelho de Marcos, também conhecido como “Evangelho do catecúmeno”, é adaptado à iniciação cristã, seguindo o percurso de fé dos Doze. Embora não contenha a fórmula litúrgica do Pai-Nosso, o Evangelho destaca a importância da progressão na relação dos discípulos com Deus, levando-os a aprender a orar com confiança e perdão. Jesus demonstra sua relação gradual com o Pai, mostrando dependência e confiança na vontade divina. Os discípulos aprendem que Deus oferece o Reino por meio de Jesus e aprendem a se relacionar de forma amorosa. Ao confrontar o mal e mostrar sua natureza transcendental, Jesus prepara os discípulos para compreender o significado do Pai-Nosso e viver uma vida cristã autêntica. Esses elementos essenciais incentivam os discípulos a se dirigirem a Deus como Pai, desejando o Reino e amando uns aos outros.

    A formulação completa de Mateus

    O texto litúrgico do Pai-Nosso adota a formulação proposta pelo Evangelho de Mateus, situada no Sermão da Montanha. A oração cristã enfatiza a relação filial e íntima com Deus, refletindo um diálogo profundo entre o cristão e o Pai celestial. 

    O Pai-Nosso possui uma estrutura de referência para a oração e a vida cristã. O pedido pela santificação do nome de Deus reflete a busca pela divinização e semelhança com Ele. A solicitação para que o Reino de Deus venha, revela a proximidade entre Deus e o homem e a realização da vontade divina na história. O pedido por pão cotidiano destaca a preocupação de Deus com o sustento e a dignidade dos seus filhos na vida familiar. As petições sobre perdão e proteção contra a tentação e o maligno ressaltam a realidade da fragilidade humana e a necessidade da intervenção do Pai para a proteção dos seus filhos. O Pai-Nosso expressa a relação íntima, filial e confiante que os cristãos têm com Deus, refletindo a busca pela divinização e realização da vontade divina na vida cotidiana.

    O Pai-Nosso em São Paulo

    Não encontramos em Paulo uma formulação do Pai-Nosso que corresponda inteiramente à de Mateus. No entanto, alguns elementos são claramente identificáveis e significativos. Um deles, em particular, é a invocação a Deus como “Abbá, Pai”, que ocorre no contexto da liturgia e da intimidade familiar indicada por Jesus. A comunidade eclesial gradualmente toma consciência da importância do Espírito que a anima, transmitindo o conteúdo de Cristo e a realidade da filiação. Além disso, Paulo enfatiza a paternidade de Deus em relação a nós, combinando-a com a paternidade de Deus em relação a Jesus Cristo.

    Paulo apresenta o Reino de Deus como futuro em uma conotação escatológica, onde todos participarão na Ressurreição de Cristo. Ele desenvolve o tema da vontade de Deus, destacando que a vontade dele está inteiramente condensada em Cristo. Quanto ao pedido pelo pão, Paulo enfatiza o pão eucarístico e a confiança em Deus para fornecer o alimento necessário. Sobre a superação do mal, Paulo aprofunda a questão do perdão e afirma que o cristão é devedor apenas do amor aos outros.

    No que diz respeito à tentação, Paulo aborda de forma complexa e elaborada a experiência de provação, enfatizando a importância da oração e do fortalecimento espiritual para resistir às tentações e à influência maligna de Satanás. Ele destaca a necessidade da força de Deus e de Cristo para que o cristão possa superar as provações e viver com alegria sua filiação.

    O Pai-Nosso em Lucas

    No Evangelho de Lucas, a formulação do Pai-Nosso apresenta algumas nuances particulares em relação ao texto de Mateus. Enquanto Mateus situa a oração no Sermão da Montanha, Lucas a relaciona com a atitude de Jesus em se retirar para lugares solitários para orar. Os discípulos, observando essa prática, pedem a Jesus que os ensine a orar e ele apresenta a formulação do Pai-Nosso. Em Lucas, a oração é dirigida simplesmente ao “Pai”, sem a especificação de “que estás nos céus” presente em Mateus. Essa simplificação é vista como um aprofundamento, indicando a intimidade familiar expressa por Jesus em sua vida terrena e sugerida aos cristãos pelo Espírito Santo.

    Além disso, Lucas destaca a importância do pão cotidiano em sua versão do Pai-Nosso. Enquanto Mateus pede o pão “hoje”, Lucas pede o pão cotidiano, enfatizando a confiança em Deus para prover diariamente conforme seu plano estabelecido. O perdão dos pecados também é abordado de maneira distinta, com Lucas substituindo o termo “dívidas” por “pecados”. Essa mudança amplia o significado, indicando que o pedido de perdão se estende a todas as transgressões contra Deus e ao próximo.

    No que diz respeito à última petição sobre a tentação e o maligno, Lucas simplifica a frase para “não nos deixes cair em tentação”, omitindo a parte “livra-nos do maligno”. Podendo ser interpretada como um aprofundamento do discurso, indicando que a tentação, que é inevitável, deve ser enfrentada com a ajuda especial de Deus para evitar cair em armadilhas.

    O Pai-Nosso em João

    Embora não haja uma formulação direta do Pai-Nosso, a oração de Jesus ao Pai presente em João reflete a relação única entre Eles, destacando a sintonia operacional perfeita entre os dois baseada em um amor arrebatador. 

    Jesus, ao se dirigir ao Pai em oração, João 17, revela uma profunda conexão entre Eles e seus discípulos, pedindo ao Pai por sua glorificação e pela unidade dos discípulos. A comunidade joanina aprendeu a rezar em continuidade com os primeiros discípulos, concentrando-se na filiação a Deus e na participação na glória de Jesus. Essa forma de oração reflete os elementos essenciais do Pai-Nosso, enfatizando a glória do Pai, o Reino de Deus, o pão cotidiano, o perdão e a defesa contra a tentação e o maligno. A ênfase é colocada em Jesus, pão da vida, na realização da vontade do Pai e na importância do amor pelos irmãos como critério para superar o pecado e manter contato com Cristo. 


    Convite a rezarmos o Pai-Nosso, com intenção sincera de viver cada uma dessas palavras, e nos prepararmos para o Jubileu 2025.

    Pai Nosso que estais nos Céus,
    santificado seja o vosso Nome,
    venha a nós o vosso Reino,
    seja feita a vossa vontade
    assim na terra como no Céu.
    O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
    perdoai-nos as nossas ofensas
    assim como nós perdoamos
    a quem nos tem ofendido,
    e não nos deixeis cair em tentação,
    mas livrai-nos do Mal.

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