6º Domingo do Tempo Comum
Deus coloca diante de nós o fogo e a água. A cada decisão, estendemos a mão: escolher a vida é escolher a fidelidade ao Senhor.
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12.02.2026 10:50:34 | 4 minutos de leitura

Pe. Rafael Pedro Susrina, psdp
A Palavra de Deus nos recorda que somos livres diante de Deus – e que essa liberdade é dom e responsabilidade.
A 1ª leitura (Eclo 15,16-21) nos diz: “Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão.” (Eclo 15,16). Que imagem forte! Deus coloca diante de nós o fogo e a água.
O fogo pode aquecer, iluminar, purificar – mas também pode destruir.
A água pode saciar, dar vida, limpar – mas também pode afogar.
Não se trata de teoria moral, mas de escolhas concretas. “Estender a mão” é um gesto ativo. Cada decisão é uma mão que se move. Cada palavra dita, cada pensamento cultivado, cada atitude tomada é uma mão estendida em direção ao fogo ou à água. E a leitura conclui com firmeza: “Não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar.” (Eclo 15,21)
Aqui é necessário compreender bem: o que significa “agir como ímpio”?
Na Sagrada Escritura, o ímpio não é apenas aquele que cai por fraqueza. O ímpio é aquele que vive como se Deus não existisse; que fecha o coração à sua Lei; que coloca sua própria vontade acima da vontade do Senhor. É uma postura interior de afastamento.
O justo pode cair, mas se arrepende. O ímpio não quer converter-se. E a Palavra é consoladora: Deus não empurra ninguém para o mal. Ele não inspira o pecado. Ele não dá licença para a injustiça. Se pecamos, não podemos atribuir a Deus nossa queda. Ele nos dá graça suficiente para escolher a vida.
No Evangelho (Mt 5,20-22a.27-28.33-34a.37), Jesus aprofunda essa verdade: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus.” (Mt 5,20) Ele não pede uma justiça maior em quantidade, mas em profundidade. Não basta evitar o crime exterior; é preciso purificar o coração.
Não apenas “não matarás”, mas também não alimentarás a ira. Não apenas evitar o adultério visível, mas também purificar o olhar. Não apenas evitar o falso juramento, mas viver na verdade. Cristo vai à raiz, porque é no interior que começa a escolha entre o fogo e a água.
São João Crisóstomo observa que Jesus menciona o inferno logo após falar do Reino dos Céus, mostrando que o Reino é oferecido por amor, mas a condenação nasce da nossa negligência. Ele adverte que não devemos considerar leve uma palavra ofensiva. Muitos homicídios começaram com palavras. Muitas cidades foram destruídas por discursos inflamados. Chamar o irmão de “insensato” não é algo pequeno, porque é ferir sua dignidade, criada à imagem de Deus.
Quantas vezes estendemos a mão ao fogo por causa de uma palavra dita na ira? Quantas vezes escolhemos a morte espiritual cultivando ressentimentos? Quantas vezes justificamos nossos pecados dizendo: “É o meu jeito”?
Mas a Escritura é clara: “A ninguém deu licença de pecar.” (Eclo 15,21)
Não podemos nos esconder atrás do temperamento, da cultura ou do costume. Deus nos leva a sério. Ele respeita nossa liberdade – mas também nos chama à conversão. “Seja o vosso ‘sim’, sim; e o vosso ‘não’, não” (Mt 5,37).
Num mundo de ambiguidades, o cristão é chamado à coerência. A santidade começa nas pequenas fidelidades: no domínio da língua, na pureza do olhar, na verdade da palavra, na reconciliação com o irmão.
Hoje o Senhor coloca novamente diante de nós o fogo e a água. Não como ameaça, mas como convite à maturidade espiritual. Ele quer que escolhamos a vida. Ele quer que escolhamos a comunhão. Ele quer que escolhamos o Reino.
Perguntemo-nos com humildade: tenho estendido a mão para onde? Minhas palavras aquecem ou queimam? Meu coração purifica ou destrói? Levo Deus realmente a sério nas minhas decisões?
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