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SOU DE QUEM ME CONQUISTAR: uma breve reflexão sobre juventudes na concepção do Carisma Calabriano

Educação

        É difícil pensar em juventude para Calábria, sem pensar na frase “Sou de quem me conquistar”. Assim refletia sobre a juventude e, de fato, muitos vivem deste modo, sendo “conquistados” por diversos tipos de afetos que muitas vezes não preenchem e não plenificam.

Sabemos que nossos jovens precisam ser conquistados pelo Amor (com letra maiúscula), aquele tipo de Amor que faz nossa vida ganhar sentido de eternidade e que, provavelmente, fará a vida ser assumida por uma sensação de ser amado e de saber que há quem acredite em nós. Deus acredita em nós!

Neste artigo a coordenadora da Pastoral do regional do Pará, Brenda Costa, traz uma reflexão sobre as juventudes.

            Por que, às vezes, é tão difícil para o jovem viver essa realidade? Entender que Deus o Ama é tão incerto? Por que ficar perdido no deserto? Por que se distanciar de Deus e abandonar seu barco? Somos felizes naquilo que fazemos e vivemos? Quem conquista os “nossos” jovens?

            Deus continuará acreditando nos jovens, independente do que ele viveu. O jovem traz no coração potencialidades e disponibilidades que, quando bem orientadas, são capazes de transformar o mundo e de dar a volta por cima. Todos os dias vivemos a oportunidade de vencermos uma dificuldade, de enfrentar desafios e de experienciar muitas alegrias. Sabemos que os jovens precisam ser conquistados, amados e acreditados! São João Calábria também acreditava nos jovens. Com um coração carinhoso, os chamava de “bons meninos”, porque acreditava que eles eram bons. Ao mesmo tempo, encontram-se perdidos quando faltam os valores ou os pontos de referência. Com suas fragilidades e medos próprios do atual momento histórico, de uma sociedade globalizada, mesmo sendo nativos do mundo da internet e conectados em muitos meio.

            Padre Calábria, desde seminarista, gostava de acompanhar os jovens e ajudá-los a descobrir a beleza da vida, bem como a missão de cada um. Com a intenção de que o jovem descobrisse o “projeto de Deus” para sua vida, empenhou-se no trabalho e na missão com estes.

            Sabe-se que o Amor é capaz de nos fazer acreditar que viemos a este mundo por uma obra de Deus. Por isso, temos um compromisso com os jovens: não os deixar perder os referenciais e as figuras de referência. Presos a uma vida agitada, podemos nos enganar e até mesmo nos contentar com afetos em migalhas que chegam até nós por meio de relacionamentos líquidos, que escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água. Pe. Calábria dizia que os jovens são sensíveis, comprometidos e transcendentes. Mas como ele sabia isso? Toda a infância e juventude de João Calábria foram marcadas pela pobreza e enfermidade, e por ter sentido na pele tais dificuldades, sentia-se convidado, por Deus, a oferecer aos “bons meninos” a vivência de uma vida voltada para a Palavra. Ele acreditava que os jovens, por diversas vezes, se encontram órfãos e sós.

            As crianças e os jovens necessitam de figuras de referência para o desenvolvimento de sua identidade, porém, se fizermos uma reflexão sobre os dias atuais, vamos enxergar que estamos vivendo em uma sociedade que ofuscou a figura “paterna – materna” e as demais figuras de referência que são necessárias para os adolescentes, sendo assim, na ausência destes, podemos viver uma crise educativa preocupante. Padre Miguel Tofful, no livro “A Profecia da alegria” nos indica que a missão profética da Família Calabriana no campo juvenil se manifesta particularmente em três áreas: Educacional, Social e Vocacional

            Na primeira área, educacional, entendemos que devemos investir e assumir sempre mais o compromisso com os jovens, favorecendo seu desenvolvimento segundo os ensinamentos de São João Calábria, para serem boas pessoas, bons cristãos e cidadãos. Acreditava que os jovens que estão conosco (nas nossas casas, atividades pastorais) foram confiados por Deus e que eles precisam ser uma paixão para cada religioso, religiosa e leigo empenhado neste setor, pois a sensibilidade educativa para com os adolescentes e os jovens deve permanecer viva no coração de cada membro da Família Calabriana.

“Mantenha-te animado; ajude o Senhor para fazer um pouco de bem na tua santa missão de educador; procure formar bons cidadãos para a nossa querida Pátria, que tanto necessita, e para a Pátria celeste, bons e fiéis cristãos; se forem bons cristãos, serão certamente ótimos cidadãos” (Padre João Calabria, carta a Pasetto Paolo, 1948 apud Tofful, 2017)

            Sendo assim, acredita-se que o apoio do carisma na área da educação precisa brotar da Paternidade de Deus, assim como o espírito de família e de “casa”, que o jovem facilmente hoje não encontra na sociedade.

A segunda área, social, diz que nós não devemos ser “assistencialistas”, mas que cuidemos, presencialmente das novas gerações, ajudando-as nas suas fragilidades. Muitas vezes, os jovens são vítimas de um sistema que faz deles “dependentes” de bens de consumo, de uma sociedade cada vez mais violenta, impaciente e adoecida. Nossa voz clama por justiça àqueles que não tem voz. O Carisma Calabriano nos convida a agir com criatividade, para suscitar um futuro melhor a todos aqueles que a Providência nos confia. Nosso movimento precisa ser de proximidade e compaixão, de prática, de seguir junto, deixando de lado os discursos bonitos. “Que grande responsabilidade” (Padre João Calabria, carta a Pasetto Paolo, 1948 apud Tofful, 2017)

            Na terceira, e última área, vocacional, ou seja, acompanhar os jovens, ajudando-os a descobrir a beleza da vida e a missão que cada um tem, para que descubram o “projeto de Deus” em suas vidas.

            Que na Família Calabriana possa sempre existir espaços onde os jovens encontrem acolhimento, compreensão, escuta fraterna e uma palavra que os conforte e os ajude a se encontrarem com Jesus Cristo. “Eu sou de quem me conquistar”. A frase é forte, não é? Então vamos conquistar com amor, paciência, respeito, atitudes solidárias, acolhimento, resistência e interesse!

 

REFERÊNCIA:

TOFFUL, Padre Miguel. Carta do Casante: A alegria da profecia. Verona, Itália, 2017.