10 anos de vida missionária na Angola

A Revista "A Ponte" vem trazendo uma série de depoimentos e entrevistas com os Consagrados e Consagradas Pobres Servos e Pobres Servas. Confira o que a Ir. Vanessa Perin, Pobre Serva da Divina Providência, tem a dizer sobre os 10 anos de missão na Angola.

O Senhor chama... o Senhor envia... com essas palavras dou início a partilha da minha experiência de missão. Missão que brota no coração perfeito do Pai e se estende ao nosso frágil e imperfeito coração.

 

Me chamo Ir. Vanessa Aparecida Perin, sou Pobre Serva da Divina Providência, e desde que fiz a minha primeira profissão, em 2009, sou missionária em terras angolana, na África. Nestes dez anos de missão tenho vivido, juntamente com minhas irmãs, experiências fortes do carisma e provado, efetivamente, o que significa o cuidado de Deus expresso na Sua maneira de prover o "pão" de cada dia. E para melhor expressar essa experiência me sirvo da figura de dois profetas da Bíblia, muito conhecidos. Personagens bíblicos que viveram experiências profundas do chamado e envio de Deus. "Eu te consagrei e te constituí profeta das nações. E eu respondi: Ah, Senhor Deus, eu não sei falar, pois ainda sou um jovem" (Jr 1,5-6). O diálogo de Deus com Jeremias marca o início da minha missão e também os primeiros anos de vida religiosa. Aos 24 anos cheguei em Luanda, capital de Angola, cidade destinada para minha missão. Sentia o convite de Deus para ser profeta e vivia interiormente, por um lado, grande alegria, entusiasmo e tudo me encantava: os costumes, os cantos, as danças, as festas, a fé do povo, a alegria, a simplicidade..., o diferente para mim era um constante desafio, e digamos que, tudo era diferente. Portanto, eu vivia em pleno desafio de abertura ao aprendizado e entrega de mim mesma para a missão. A força e a disposição da juventude me presenteavam energia para investir no que me pediam para fazer e eu procurava colaborar, da melhor maneira possível na concretização da missão. Por outro lado, as dificuldades de conhecer e amar nova cultura, onde a maneira de pensar e agir era diferente daquela que eu aprendi até então, me causava insegurança e por vezes medo. Nestes momentos eu lembrava dos conselhos de outros missionários que haviam me dito: "para inculturar-se é preciso nascer de novo".

 

Na missão, entre alegrias e dificuldades, também me identifico com o diálogo de Deus com o profeta Isaías: "Então ouvi a voz do Senhor que dizia: quem enviarei? Quem será o nosso mensageiro? Então eu disse: Eis-me aqui, envia-me" (Is 6,8). Deus confia uma missão àqueles que Ele chama. Esse chamamento de Deus vem acompanhado com um forte e concreto envio e cabe a cada um dos chamados identificar e responder generosamente a esta escola divina. A minha missão nestes anos consistiu no trabalho com os jovens nas suas diferentes realidades. Nos primeiros anos foi de trabalho Pastoral Escolar incluído aulas de Ensino Religioso, na nossa escola da Divina Providência e na pastoral vocacional na paróquia São João Calábria. Alguns anos se passaram e fui assumindo a formação das aspirantes na comunidade Oásis da Providência. Depois de seis anos de missão em Luanda o Senhor me enviou para a comunidade de Nossa Senhora de Fátima - Benguela, onde dei continuidade aos trabalhos de promoção vocacional e formação de aspirantes e postulantes. Hoje, permaneço nesta comunidade com Ir. Luisa Selela (angolana) e Ir. Paola Bianco (italiana) e mais dezoito formandas nas etapas de aspirantado e postulantado. A nossa comunidade é muito diversificada na missão, pois temos uma Obra Social que abrange cursos de corte e costura, manualidades com senhoras portadoras de deficiência e almoço dos pobres, um posto médico, e nos fins de semana Pastoral na comunidade Santo Isidro-Gama. É nessa realidade que o Senhor envia-me a ser sua mensageira e também é aqui, que com muitas limitações e fragilidades, eu respondo aos Seus apelos: eis-me aqui!

 

Pe. Calábria deixou em seus escritos que devemos procurar, "com a graça de Deus, estar sempre cheios de seu divino amor, então, sem mesmo nos darmos conta, o estaremos dando amor a todos os que se aproximarem de nós e nos virem. Que bela missão"!!! (R. E. pg. 43). Que bela concepção que Pe. Calábria tinha da missão, onde a busca em estar cheios do amor divino é a atividade principal do missionário. Em toda a experiência de missão percebo que a eficácia consiste na união com o Senhor porque nós, seres humanos, somos frágeis e inconstantes, necessitados da graça divina para ouvir constantemente e concretizar os Seus apelos. Deus continua a fazer maravilhas dos seus filhos que Ele chama e envia como profetas em terras próximas ou distantes, por isso, me uno a tantos chamados que estão a serviço do Pai para louvar e agradecer pelo bem e generosidade de cada um por levar a Palavra e construir o Reino de Deus. Deixo um apelo a todos os jovens, ou não, que sejam atentos e dóceis aos apelos do Senhor porque Ele nunca abandona os que chama e cuida com grande amor e ternura os seus filhinhos. Não tenham medo da vida desafiadora da missão porque posso dizer por experiência, que aprendemos mais do que podemos ensinar aos outros. Viva a missão!!!

 

IR. VANESSA APARECIDA PERIN, PSDP Benguela - Angola

 

REVISTA A PONTE - ANO XLVI - OUT / NOV / DEZ 2019